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MPF pedidos 26ª Fase da Lava Jato – XEPA

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  1. 1. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br EXCELENTÍSSIMO JUIZ FEDERAL DA 13ª VARA FEDERAL CRIMINAL DE CURITIBA/PR. Autos nº 5010479-08.2016.4.04.7000 Classe: Pedido de prisão preventiva O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelos Procuradores signatários, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, para se manifestar sobre a representação policial de prisão preventiva e outras medidas cautelares nos seguintes termos. 1. FATOS. Trata-se de investigação relacionada a JOÃO SANTANA e MONICA MOURA e pessoas físicas e jurídicas a ele relacionadas. Em síntese, havia provas, em cognição sumária, de que conta offshore utilizada por JOÃO SANTANA e MONICA MOURA, de nome Shellbill Finance S/A e mantida na Suíça, recebeu recursos do esquema criminoso que vitimou a Petróleo Brasileiros S/A – Petrobras por intermediação de Zwi Skornicki. No bojo dos autos nº 5003682-16.2016.404.7000, evento 8, o douto juízo determinou a prisão preventiva de ZWI SKORNICKI e a prisão temporária de: 1) JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO; 2) MONICA REGINA CUNHA MOURA; 3) MARCELO RODRIGUES (representante da KLIENFELD). No evento 20, o juízo decretou a prisão preventiva de FERNANDO MIGLIACCIO (operador de contas secretas da ODEBRECHT no exterior) e a prisão temporária de: 1)
  2. 2. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR (vice-presidente da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA); 2) MARIA LUCIA GUIMARÃES TAVARES (secretária de confiança de MARCELO ODEBRECHT); 3) VINICIUS BORIN (que atendia as solicitações de FERNANDO MIGLIACCIO para movimentações de contas secretas da ODEBRECHT). Durante a diligência em face de MARIA LUCIA GUIMARÃES TAVARES foi apreendida uma planilha que aparentava ser uma contabilidade paralela de propina da ODEBRECTH. Segundo a PF: “ A suspeita de que MARIA LÚCIA, junto com FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA, fosse uma das responsáveis pelo gerenciamento do pagamento de propinas no âmbito do grupo ODEBRECHT já havia sido devidamente registrada na Representação lançada no evento 13 daqueles autos.” Em 1/03/2016 MARIA LUCIA GUIMARÃES TAVARES firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Em suma, conforme a douta autoridade policial: “As declarações prestadas por MARIA LÚCIA no âmbito do acordo não só corroboram as conclusões das Autoridades Policiais, extraídas da análise do material apreendido, mas também trazem fatos inéditos e que configuram, em tese, novos ilícitos penais perpetrados pela organização criminosa gerida no âmbito do grupo ODEBRECHT (…) tem-se que as provas apreendidas e as declarações prestadas por MARIA LÚCIA em sede policial permitem concluir que esta fazia, de fato, parte de uma enxuta equipe no âmbito da ODEBRECHT, dividida entre São Paulo e Salvador, responsável pela gestão da contabilidade paralela do conglomerado empresarial. O departamento era denominado “Setor de Operações Estruturadas”. Nessa linha, MARIA LUCIA GUIMARÃES TAVARES indicou detalhes da estrutura paralela da ODREBRECHT, mencionando nomes de pessoas e endereços de entrega de valores que constavam na planilha, o que ensejou a representação pela realização de diligência nos seguintes alvos: 1) Equipe de “Operação Estruturadas” que seria a denominação do grupo utilizado para a operacionalização dos valores da contabilidade paralela da ODEBRECHT; 2) Executivos da ODREBRECHT que autorizavam os pagamentos ilícitos; 3) Operadores financeiros que disponibilizavam os recursos em espécie; 4) Destinatários dos recursos em espécie. Nesse contexto, a Polícia Federal requer medidas cautelares de busca e apreensão, prisões temporárias e preventivas e conduções coercitivas.
  3. 3. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Vejamos. 1.2. EQUIPE DA CONTABILIDADE PARALELA DA ODEBRECTH “OPERAÇÕES ESTRUTURADAS e EXECUTIVOS ORDENANTES DE PAGAMENTOS A autoridade policial mencionou a existência de uma pequena equipe de confiança da cúpula da ODEBRECHT chamada de “Operações Estruturadas” que era encarregada das atividades relativas à contabilidade paralela composta pelas pessoas supracitadas no tópico. Esses assistentes tinham incumbência de prestar apoio a FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA, atualmente preso na Suíça por operar a contas para pagamento de propina da companhia. Segundo a representação policial, também tinham ascendência hierárquica sobre o grupo as pessoas HILBERTO SILVA e LUIZ EDUARDO SOARES. Para operacionalização da entrega desses valore espúrios, os integrantes deste grupo recebiam ordens de executivos do Grupo ODEBRECHT para disponibilização de valores para os beneficiários, todos identificados por codinomes, que serão objeto de tópico específico. Sobre a composição da equipe de Operações Estruturadas, MARIA LUCIA prestou depoimento: QUE por conta da doença de ANTONIO FERREIRA, a declarante foi relocada para o setor de Operações Estruturadas; QUE seu chefe no setor era HILBERTO SILVA; QUE entrou no setor de Operações Estruturadas há seis anos; QUE a equipe no Setor de Operações Estruturadas era liderada por HILBERTO SILVA (chefe) o qual se dividia entre São Paulo e Salvador; Que também compunham a equipe LUIZ EDUARDO SOARES e FERNANDO MIGLIACCIO, ambos trabalhando em São Paulo, com o apoio da secretária ALYNE BORAZO; QUE em Salvador ficavam a declarante, a assistente administrativa ANGELA PALMEIRA e a secretária AUDENIRA BEZERRA; QUE quando iniciou no setor, foi orientada por HILBERTO SILVA quanto ao trabalho que deveria fazer, que envolvia pagamentos paralelos; QUE a secretária AUDENIRA cuidava de assuntos particulares de HILBERTO SILVA, enquanto cabia a ANGELA PALMEIRA e à declarante a parte de pagamentos paralelos; QUE em São Paulo, ficavam LUIZ EDUARDO e FERNANDO MIGLIACCIO, aos quais a declarante e a funcionária ANGELA davam apoio direto de Salvador; QUE FERNANDO MIGLIACCIO e LUIZ EDUARDO SOARES estavam hierarquicamente acima da declarante e de ANGELA; QUE considerava como seu chefe imediato FERNANDO MIGLIACCIO, já que falava mais com ele do que com
  4. 4. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br HILBERTO SILVA, o qual viajava muito a trabalho e não ficava muito tempo em Salvador; QUE ficou no setor de Operações Estruturada até fim de agosto de 2015; Segundo a autoridade policial: Com o aprofundamento da análise do material documental apreendido em posse de MARIA LÚCIA (ANEXO2-17), foram encontrados indícios ainda mais robustos e perturbadores quanto a estrutura dessa contabilidade paralela, bem como quanto a sua finalidade. Inúmeras planilhas e printscreens do que parece ser um sistema informatizado veiculam dezenas de codinomes e senhas, sempre relacionado a valores vultuosos, tanto em reais quanto em dólares e euros. A menção a “lançamentos”, “saldos”, “liquidação” e “obras” não deixa qualquer margem para interpretação diversa: trata-se de contabilidade paralela, destinada a embasar pagamentos de vantagens indevidas pelo grupo ODEBRECHT. A documentação traz valores vultuosos, e com datas tão recentes quanto o segundo semestre de 2015. Essas evidências foram transcritas entre as p. 6-9 da representação policial que menciona documentos da busca e apreensão e e-mails enviado por MARIA LUCIA a FERNANDO MIGLIACCIO. De acordo com a autoridade policial (p.12): A análise do material (tanto aquele apreendido na residência da investigada quanto aquele extraído de sua caixa de e-mail funcional) permite concluir que há diversas “contas correntes”, provavelmente mantidas sob o controle de terceiros (doleiros), e que são periodicamente abastecidas com recursos, bem como também são debitadas para pagamentos diversos, provavelmente entregues em espécie aos destinatários. Dentre esses doleiro foi identificada a pessoa de “PAULISTINHA” que, de acordo com os documentos obtidos, teria um saldo de R$ 65.000.0000,00 na sua conta corrente com a ODEBRECHT. Segundo MARIA LUCIA, havia ainda um sistema de troca de mensagens “segura” entre os membros da equipe e as pessoas responsáveis por disponibilizar os recursos em espécie chamado DROUSYS e outro sistema chamado MyWebDay para requisições de pagamentos. A responsabilidade pelo gerenciamento desse sistema cabia a CAMILLO GORNATI e PAULO SERGIO DA ROCHA. Sobre o sistema MyWebDay, MARIA LUCIA prestou os seguintes esclarecimentos: apenas pelo Setor de Operações Estruturadas até onde sabe; QUE se outros setores da empresa utilizavam o MyWebDay não era com a mesma finalidade do Setor de Operações Estruturas; QUE extraía do sistema uma planilha de requisições de pagamento; QUE as requisições também podiam ser visualizadas individualmente, tal
  5. 5. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br como a tela da fl. 247 do apenso documento (equipe BA-05, LJ 23); QUE não sabe ao certo a quem cabia confeccionar a planilha e as requisições que originavam ela, mas que sabe que em algum grau havia a atuação de UBIRACI SANTOS em tal assunto; QUE a declarante nunca criou uma requisição de pagamento no sistema, apenas as visualizava e consultava; QUE apresentada a fl. 277 do apenso documental apreendido em sua residência (BA- 05), afirma que se trata da planilha que extraía do sistema MyWebDay; QUE a planilha que a declarante extraía era semanal, a qual tinha programações de pagamento para a semana; QUE a planilha também continha o nome da obra, os codinomes, os valores e data quando deveriam ser entregues, os codinomes dos beneficiários, o número da requisição; QUE de posse da planilha, somava os valores a serem entregues em cada um dos locais indicados na planilha, a fim de que verificar quanto seria necessário ter disponível em tais cidades para honrar as requisições de pagamento; QUE ao fechar os valores totais, avisava FERNANDO MIGLIACCIO via sistema Drousys sobre o quanto seria necessário dispor de recursos em cada cidade; (…) QUE mostrado a declarante as fls. 235/237 do apenso documental, onde o executivo RODRIGO COSTA MELO lhe pediu a entrega de recursos no Rio de Janeiro para o beneficiário codinome TURQUESA, afirma que requisições feitas diretamente à declarante eram exceções; QUE nesse caso, RODRIGO MELO também copiou o e-mail a UBIRACI SANTOS porque cabia a ele a inclusão de tal informação no sistema de requisição de pagamento; QUE a declarante apenas poderia providenciar o pagamento via prestadores se a requisição tivesse sido incluída no sistema; De acordo com a representação policial, ROBERTO PRISCO PARAÍSO RAMOS foi líder empresarial de ODEBRECTH ÓLEO E GÁS, braço responsável pelos contratos com a PETROBRAS. Na p. 22 da representação, é mencionada uma requisição de “acarajés” de ROBERTO PRISCO para HILBERTO MASCARENHAS. Segundo a autoridade policial: os emails encontrados também demonstram que ROBERTO RAMOS possuía autorização para receber/entregar um total de R$ 500.000,00 (“saldo de 500” acarajés) em outubro/2013, tendo acionado HILBERTO SILVA, chefe do Setor de Operações Estruturadas, para que providenciasse por meio de MARIA LÚCIA TAVARES a entrega de parte de tais valores. Tal informação reforça a existência de processos internos para alocação e autorização de entrega de valores, bem como demonstra que ROBERTO RAMOS foi um dos executivos
  6. 6. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br que determinou a entrega de vantagem indevida na sua área de atuação empresarial(gás e óleo). Segundo a Polícia Federal: “as evidências coletadas apontam que ROBERTO PRISCO PARAÍSO RAMOS, RODRIGO COSTA MELO, ANTONIO PESSOA DE SOUZA COUTO, PAUL ELIE ALTIT, EDUARDO JOSÉ MORTANI BARBOSA, SERGIO LUIZ NEVES e JOÃO ALBERTO LOVERA trataram do pagamento de vantagem indevida a terceiros de forma consciente e deliberada, demonstrando não só seu conhecimento quanto às “engrenagens” da contabilidade paralela, mas também o seu desígnio de aderir às condutas criminosas em andamento no âmbito da organização empresarial.” A partir das evidências colacionadas na representação policial, a atuação dos grupos “Operações Estruturadas” e os “Executivos” pode ser resumida da seguinte forma: ALVOS/GRUPO FUNÇÃO EVIDÊNCIAS HILBERTO SILVA/ (executivo) Chefe de Maria Lucia. Um dos líderes do Grupo de Operações Estruturadas. Dava as principais ordens para pagamentos da contabilidade paralela. Há evidências de que ele gerenciava as contas da ODEBRECTH na Suíça Mencionado por MARIA LUCIA como principal líder do setor. Aparece nas planilhas da busca e apreensão junto à sigla RAE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS ao lado da palavra “supervisão”. Há provas de requisição de pagamentos (p., 20 da representação) ALYNE NASCIMENTO BORAZO/ OPERAÇÕES ESTRUTURAD AS Integrava o Grupo de Operações Estruturadas. Dava apoio a FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA, LUIZ EDUARDO DA ROCHA SOARES e HILBERTO SILVA para operacionalização dos pagamentos Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas em que consta o nome do alvo AUDENIRA JESUS BEZERRA/ OPERAÇÕES ESTRUTURAD AS Dava apoio a FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA, LUIZ EDUARDO DA ROCHA SOARES e HILBERTO SILVA para operacionalização dos pagamentos Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas em que consta o nome do alvo. LUIZ EDUARDO DA Sócio da BBF ASSESSORIA FINANCEIRA. Recebia o apoio de Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas e
  7. 7. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br ROCHA SOARES/EXEC UTIVO ALYNE NASCIMENTO BORAZO e AUDENIRA JESUS BEZERRA no desempenho da operacionalização dos valores, principalmente na disponibilização no exterior. Atuava com papel de liderança juntamente com FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA e HILBERTO SILVA. Encontra-se fora do Brasil anotações apreendidas em que consta o nome do alvo UBIRACI SANTOS Também tinha ingerência nas requisições de pagamentos espúrios. Cabia a ele incluir no sistema MyWebDay as requisições de pagamentos Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas em que consta o nome do alvo ANGELA PALMEIRA Trabalhava junto com MARIA LUCIA no gerenciamento da contabilidade paralela da ODEBRECTH Depoimento de MARIA LUCIA e diversas planilhas e e-mails. Sistema de tráfego internacional demonstra que viajou com MARIA LUCIA para Miami RODRIGO COSTA MELO (EXECUTIVO) Diretor regional da ODEBRECTH REALIZAÇÕES. Na p. 15 da representação há um e- mail de RODRIGO MELO a ANTONIO PESSOA DE SOUZA COUTO pedindo a aprovação de um pagamento a TURQUESA. Ao receber a aprovação, ele encaminha e-mail a MARIA LUCIA solicitando a entrega do dinheiro Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas em que consta o nome do alvo. ANTONIO COUTO (EXECUTIVO) Diretor superintendente da ODEBRECTH REALIZAÇÕES Na p. 15 da representação há um e- mail de RODRIGO MELO a ANTONIO PESSOA DE SOUZA COUTO pedindo a aprovação de um pagamento a TURQUESA Depoimento de MARIA LUCIA e planilhas apreendidas PAUL ELIE ALTIT (EXECUTIVO) Líder empresarial da ODEBRECTH REALIZAÇÕES. Chefe de RODRIGO MELO e ANTONIO COUTO Depoimento de MARIA LUCIA e planilhas apreendidas
  8. 8. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Na p. 16 consta que ele recebeu e- mail de RODRIGO MELO com pedido de autorização de um pagamento espúrio FERNANDO REIS Líder Empresarial da ODEBRECHT AMBIENTAL. São executivos que requisitaram pagamento em favor de uma pessoa com o codinome “Cobra” Depoimento de MARIA LUCIA corroborado pelo documento de p. 25 EDUARDO BARBOSA Diretor da ODEBRECHT AMBIENTAL Aparece demandando pagamentos no diálogo com ANGELA PALMEIRA. Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas pelo documento de p. 25. SERGIO LUIZ NEVES Diretor superintendente da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA solicitou e aprovou pagamentos para Mineirinho Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por e-mails e planilhas apreendidas (p. 28) BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR Líder Empresarial da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA solicitou e aprovou pagamentos para Mineirinho. Já foi preso na 23ª fase da Operação Lava Jato Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas e por e-mails (p. 28) JOÃO ALBERTO LOVERA (executivo) Executivo da ODEBRECHT REALIZAÇÕES IMOBILIÁRIAS. Solicitou pagamento para “GRAMA” Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas, extratos de mensagens e por e-mails (p. 34) ANTONIO CARLOS DAIHA BLANDO Diretor Superintendente da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA – ÁFRICA, EMIRADOS ÁRABES E PORTUGAL em Angola. Solicitou pagamento de USD 335.000,00 para DS ANGOLA Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 36) CARLOS JOSE CUNHA Diretor Superintendente da SUPERVIAS, no âmbito da ODEBRECHT TRANSPORT. Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 37)
  9. 9. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Requisitou pagamento no valor de R$ 100.000,00, agendado para o dia 18/11/2014. RICARDO FERRAZ Diretor de Contrato na ODEBRECHT INFRAESTRUTURA. Responsável pelo contato com “Padeiro” e “Compromido” Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 39) NILTON COELHO [DE ANDRADE JUNIOR Diretor de Contrato na ODEBRECHT INFRAESTRUTURA. Segundo a planilha, ele era o contato para o pagamento em benefício de “VAREJÃO 2” e “ENCOSTADO 2”, no valor de R$ 10.000,00 e 100.000,00, respectivamente. Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 39) ANTONIO ROBERTO GAVIOLI Diretor de Contrato na ODEBRECHT INFRAESTRUTURA. Era o contato para pagamento do codinome “Timão” Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 40) LUCIANO CRUZ Diretor Financeiro da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA. Contato para pagamento de FORMULA K Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 41) FLAVIO [DE BENTO] FARIA ex-Diretor da ODEBRECHT na Argentina. Contato para os pagamento a FESTANÇA e DUVIDOSO Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 39) FÁBIO [ANDREANI] GANDOLFO, Diretor Superintendente da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA no Rio de Janeiro. Contato para o pagamento à “AMIGA” Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 39) RODRIGO PRISCO PARAISO Foi líder Empresarial da ODEBRECHT ÓLEO E GÁS, braço empresarial responsável pelos Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas. Aparece requisitando
  10. 10. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br RAMOS contratos no âmbito da PETROBRAS pagamentos com a sigla “MOV RR” p. 22 MARCELO BAHIA ODEBRECHT Presidente da holding ODEBRECHT Requisitou pessoalmente os pagamentos a “COXA” e “PIQUI” e a FEIRA Depoimento de MARIA LUCIA corroborado por planilhas apreendidas (p. 42). Aparece ainda na lista de siglas de MARIA LUCIA ao lado de MBO 1.3. OPERADORES FINANCEIROS QUE DISPONIBILIZAM OS RECURSOS EM ESPÉCIE A autoridade policial menciona na representação que, a partir da busca e apreensão e do depoimento de MARIA LUCIA, identificaram-se operadores financeiros que tinham por finalidade a disponibilização de valores em espécie. Esses alvos surgiram principalmente da análise do caderno de MARIA LUCIA e dos seus depoimentos. Sobre os operadores financeiros, MARIA LUCIA prestou as seguintes informações: QUE sabe que LUIZ EDUARDO tinha relacionamento com OLIVIO e MARCELO da empresa GRACO, mas não sabe dizer em que se consubstanciava esse relacionamento; QUE LUIZ EDUARDO também possuía acesso ao sistema DROUSYS, mas mantinha pouco contato com a declarante; QUE o nick de LUIZ EDUARDO no sistema era TOSHIO; QUE não sabe do que se trata a KLIENFELD; QUE esclarece que a anotação no caderno da declarante relacionado a KLIENFELD, com a senha para extratos, deu-se a pedido de ÂNGELA; QUE acredita que ANGELA tivesse acesso a referida conta; QUE nunca acessou a referida conta bancária no exterior; QUE não sabe dizer qual a relação de OLIVIO com a referida conta; QUE o relacionamento com OLIVIO era realizado por ANGELA; QUE OLIVIO também se utilizava do sistema DROUSYS com o codinome GIGO; (…) QUE a declarante também utilizava os serviços do prestador “NOB”, que era a GRADUAL TURISMO; que falava com ALEX ou CLERISTON; QUE a declarante acionava a “NOB” quando era necessário realizar entregas de dinheiro em Salvador; QUE então telefonava para a GRADUAL TURISMO e eles mandavam alguém ao encontro da declarante, para que então a declarante dissesse a essa
  11. 11. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br pessoa o endereço da entrega, a senha e o valor; QUE indagada acerca dos registros da conta corrente NOB, esclarece que se tratava do operador ALEX, que era localizado em SALVADOR; QUE ALEX indicava contas no exterior e ANGELA providenciava os pagamentos; QUE o operador era utilizado para fornecer REAIS na cidade de SALVADOR; QUE as entregas eram no setor da declarante ou em algum local indicado para entrega na própria cidade de SALVADOR; QUE não se recorda de entregas em outras cidades do estado da BAHIA; QUE os codinomes indicados no extrato eram informados pelo próprio prestador; (…) QUE “CARIOQUINHA” e “PAULISTINHA” eram a mesma pessoa – ALVARO NOVIS; QUE mostrado à declarante a fl. 32 do apenso documental (BA-05), confirma se tratar dos dados referentes a ALVARO NOVIS e à HOYA CORRETORA, de propriedade dele; QUE quanto aos demais contatos constantes da anotação (MÁRCIO AMARAL e EDMAR), afirma que eram funcionários da ALVARO, também contatados para fins de disponibilização de recursos; QUE a declarante se comunicava com a equipe de ALVARO por meio do sistema Drousys, no qual eles utilizavam o usuário “PEIXE”; QUE chegou a conhecer ALVARO pessoalmente, em um fim de ano (há cerca de dois, três anos), quando ele foi até a sua sala para conhecer a equipe; QUE a diferença entre “CARIOQUINHA” e “PAULISTINHA” eram os locais de entrega – quando era São Paulo, considerava-se como prestador a PAULISTINHA; quando era Rio de Janeiro, a CARIOQUINHA; QUE no entanto a declarante tratava sempre com as mesmas pessoas, seja para entregas no Rio ou em São Paulo; QUE a declarante fazia planilhas de controle distintas para recursos entregas em São Paulo ou no Rio de Janeiro; QUE apenas se comunicava com a equipe de ALVARO por telefone quando o sistema Drousys ficava fora do ar, mas nunca informava a eles endereços e senhas por telefone; (…) QUE se recorda do prestador TONICO em PORTO ALEGRE, a declarante se recorda que era utilizado com menor frequência; QUE mantinha contato com a pessoa de ANTONIO CLAUDIO DE ALBERNAZ CORDEIRO, nome anotado em sua agenda; QUE nunca esteve no escritório de “TONINHO”; QUE não conhece a pessoa de “TONINHO” tendo apenas de recordado de contatos por telefone ou e-mail;
  12. 12. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br A partir disso, em resumo, com o avanço das investigações, os depoimentos de MARIA LUCIA passaram a decifrar as anotações apreendidas na diligência de busca da 23ª fase, sendo possível identificar os seguintes operadores: ALVOS/CODINOME NOME FUNÇÃO EVIDÊNCIAS GIGOLINO OLÍVIO RODRIGUES JUNIOR – Produzir dinheiro em espécie – é possivelmente o controlador da offhsore KLIENFELD Consta com o contato no caderno de MARIA LUCIA ao lado do nome da HR GRACO ASSESSORIA E CONSULTORIA FINANCEIRA – foi diretor da GRACO CORRETORA DE CÂMBIO, instituição que recebeu recursos da própria ODEBRECHT e de empresas utilizadas por LEONARDO MEIRELLES e ALBERTO YOUSSEF para lavagem de dinheiro e, sobretudo, para remessa ilícita de valores ao exterior e para operação de “dólarcabo – encontra-se, segundo informações e consultas em bancos e dados, residindo no exterior desde meados de 2015, tendo retornado recentemente ao Brasil;
  13. 13. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br – é possivelmente o controlador da offhsore KLIENFELD GIGINHO MARCELO RODRIGUES (irmão de OLÍVIO) Produzir dinheiro em espécie – é possivelmente o controlador da offhsore KLIENFELD – Depoimento de MARIA LUCIA – no caderno de MARIA LUCIA ao lado do nome da HR GRACO ASSESSORIA E CONSULTORIA FINANCEIRA -foi identificado como o indivíduo que assinou o contrato entre a KLIENFELD SERVICES LTD e a SHELLBIL FINANCE S.A., o qual visava justificar a transferência de recursos espúrios do GRUPO ODEBRECHT para JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO e MÔNICA REGINA CUNHA MOURA; NOB GRADUAL TURISMO Entrega de dinheiro em espécie em Salvador Anotações e depoimentos de MARIA LUCIA TUTA TUTA Entrega de dinheiro em espécie Anotações e depoimentos de MARIA LUCIA CARIOQUINHA e PAULISTINHA (HOYA CORRETORA DE ALVARO JOSE GALLIEZ NOVIS Entrega de dinheiro em espécie Era o principal operador de recursos -Anotações e depoimentos de MARIA LUCIA -Mensagens captadas
  14. 14. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br VALORES E CAMBIO LTDA) da ODEBRECHT -relacionamento de FERNANDO MIGLIACCIO e LUIZ EDUARDO SOARES TONICO ANTONIO CLAUDIO ALBERNAZ CORDEIRO Entrega de dinheiro em espécie -Anotações e depoimentos de MARIA LUCIA -responsável por várias offshores MADEIRA- CARLOS-LEITE MONACO AGENCIA DE CAMBIO E TURISMO Entregas em espécie em Recife -Anotações e depoimentos de MARIA LUCIA 1.4. DESTINATÁRIO DAS ENTREGAS DOS RECURSOS EM ESPÉCIE Conforme narra a autoridade policial, no material apreendido na residência de MARIA LUCIA existe uma série de endereços indicados em planilhas e telas de sistema informatizado com locais de entrega de recursos em espécie associado a codinomes. Cada uma das requisições se encontra vinculada a um executivo da ODEBRECHT e a uma “obra”. Ainda de acordo com a representação policial: “Sobre as entregas de dinheiro, MARIA LÚCIA explica que semanalmente extraía do sistema informações quanto às requisições programadas para aquele período. Cabia a MARIA LÚCIA verificar quanto seria entregue em cada cidade, de modo a acionar os operadores financeiros (“prestadores”), comunicando a ele sobre os valores a serem entregues, o endereço, o contato e a senha.” Nesses termos, ela prestou os seguintes esclarecimentos: QUE após avisar a FERNANDO MIGLIACCIO, a declarante avisava aos “prestadores” uma listagem contendo o valor total que deveriam entregar naquela semana e a senha que estava associada a cada uma das entregas, colocando ao lado o valor de cada uma das entregas individuais; QUE depois disso, a declarante deveria encaminhar a eles os endereços vinculados a cada uma das senhas onde deveriam ser entregues recursos em espécie; QUE quem informava os endereços à declarante era FERNANDO MIGLIACCIO, por meio do sistema
  15. 15. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Drousys; QUE então a declarante passava os endereços para os prestadores, também via Drousys; QUE os endereços para entregas de recursos em espécie, mesmo que fosse para o mesmo beneficiário, dificilmente se repetia; QUE então cabia a FERNANDO apurar junto ao beneficiário final (codinome) em qual endereço se deveria ocorrer a entrega naquela semana; QUE junto com o endereço, normalmente vinha a indicação de um contato que iria receber a quantia; QUE sempre quando os prestadores iam levar o dinheiro, sempre havia a indicação do endereço, do valor, da senha e da pessoa que iria recebe- los; QUE terminado esse processo, cabia à declarante contatar os prestadores para confirmar as entregas, já que por vezes havia problemas com a entrega, tais como atrasos, desistências, etc.; Sobre os recebedores, a autoridade policial salienta que a entrega era feita a emissários dos destinatários finais, sendo que a identificação correta destes é imprescindível para descobrir quem é o último beneficiário. Acrescenta ainda que há indícios que alguns emissários recebedores já identificados possuem vínculos com agentes públicos ou políticos, em que pese a investigação ainda esteja em estágio inicial, não sendo concludente neste ponto. Outras vezes, os recebedores são executivos da ODEBRECTH, possivelmente os responsáveis pela entrega até os destinatários finais. Em resumo, foram identificados os seguintes recebedores: CODINOME/LOCAL DE ENTREGA NOME FUNÇÃO EVIDÊNCIAS LUIZ ROQUE “LR”- Avenida ACM, 480, Centro Empresarial Toryba, sala 503, Itaigara,SALVADOR/ BA:- recebeu oito entregas em 2015 com valores entre R$ 50mil e R$ 200.000,00 LUIZ ROQUE SILVA ALVES Responsável pelo CENTRO DE APOIO E SALIDARIEDADE DA BAHIA. – anotações nas planilhas GUSTAVO “Largo do Machado, 29, Sl 523, Centro, Rio de Janeiro/RJ”- recebeu uma entrega no dia 16/06/2015, no valor de R$ 550.000,00 Possivelmente, pode se tratar de GUSTAVO FALCÃO SOARES- irmão de FERNANDO SOARES Não identificada – anotações nas planilhas
  16. 16. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br WILLIAN (ALI CHAIM) Rua dos Anapurus, 1661, Moema, São Paulo (FLAT TSUE PALACE) dias 12 e 13/11/2014 recebeu duas entregas de R$ 1milhão WILLIAN ALI CHAIM Recebedor para o codinome Feira – já foi tesoureiro de campanha de Rui Falcão e de Jose Dirceu – trabalhou com JOSE DE FILIPPI JUNIOR – Foi presidente de uma das empresas de ROMERO TEIXEIRA NIQUINI, que é sócio de BALTAZAR JOSE DE SOUZA, concunhado de RONAN MARIA PINTO – anotações nas planilhas – dados de hóspedes do flat TSUE PALACE FORMULA K- um registro de entrega no valor de R$ 250.000,00 no dia 14/11/2014 a ser realizada no endereço Avenida Paulista, 2073, Torre Horsa I, 22º and, cj. 2218, aparenta ser um escritório de advocacia/ outro recebimento no endereço Rua Campos Bicudo, 153, Hotel Transamerica, apto. 186, em SÃO PAULO, a ser liquidado na data de 24/10/2014, no valor de R$ 300.000,00 FLAVIO MAGALHÃES Foi preso temporariamente na 14ª fase da Operação Lava Jato – Anotações em planilhas – dados de hóspedes do Hotel Transamerica
  17. 17. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br COBRA – três entregas 17/06, 24/06 e 01/07, no valor de R$ 1.000.000,00- RUA SAMOAIO VIANA, 180, Flat Option Paraiso- Paraiso, ap. 43 MARCELO MARQUES CASSIMIRO (emissário)/ ANTONIO CARLOS VIEIRA DA SILVA JUNIOR Diretor da ARCOS COMUNICAÇÃO – prestou serviços eleitorais em Portugal por intermédio de Andre Gustavo Vieira da Silva (filho de Antonio Carlos) – ARCOS possui contrato com BNDES sendo que Andre Gustavo teria sido convocado à CPI do BNDES em agosto de 2015 por seu vínculo com DELUBIO SOARES – Anotações em planilhas – informações do proprietário do apartamento objeto da entrega informou que o imóvel esteve alugado para ANTONIO CARLOS VIEIRA JUNIOR. Nas anotações de entrega, constava o nome de MARCELO MARQUES CASSIMIRO. Relatório de Inteligência do COAF (Evento 7) identificou depósitos de MARCELO em favor de ANTONIO CARLOS na época dos recebimentos indicados na planilha, o que indica que possivelmente MARCELO se trata de um emissário de ANTONIO CARLOS MASTER- recebe uma entrega na Rua Luiz Carlos Berrini, 1748, cj. 2203 em SÃO PAULO, liquidado na data de 26/09/2014, no valor de R$ 300.000,00, com a anotação OBRA PEQUI-GOIÁS – DS/AB: RODRIGO Aparentemente é o endereço da empresa SMARTBRASIL EVENTOS – Anotações em planilhas
  18. 18. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br GALEGO entrega na Avenida Nações Unidas, 1301, Brooklin, Grand Hyatt, em 23/10/2014, sem a identificação do apartamento, no valor de R$1.000.000,00 ANDRE AGOSTINHO [AGUSTINI] MORENO Caso se trate de ANDRE AGUSTINI MORENO, trata-se de um ex assessor do governador de Santa Catarina – Anotações em planilhas AMIGA- entrega na Rua Luisiania, 204, Casa 6, Brooklin, em São Paulo, a ser liquidado na data de 23/10/2014, no valor de R$ 1.000.000,00 MARIA PRADO RIBEIRO DE LAVOR Proprietária da empresa MY COMERCIO LTDA (MY DIAMOND) -SÓCIO DA companhia de participações minerárias – Anotações em planilhas BAIXINHO entrega no endereço Rua Macuco, 579, Hotel Mercure (São Paulo Privilege), Apto. 1504, em São Paulo, a ser liquidado na data de 23/10/2014, no valor de R$ 150.000,00 ROGERIO MARTINS Identificado como pessoa relacionada à HOYA CORRETORA – Anotações em planilhas TIMÃO- entrega no endereço Rua Emilio Mallet, 589, apto. 172 em São Paulo, a ser liquidado na data de 23/10/2014, no valor de R$ 500.000,00 ANDRE [LUIZ DE] OLIVEIRA Dirigente do Corinthians Anotações em planilhas VAREJÃO 2 /ENCOSTADO 2- entrega no endereço NILTON COELHO Executivo da ODEBRECHT Anotações em planilhas
  19. 19. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Rua Rua Mauricio Francisco Klabin, 318, Vila Mariana em SÃO PAULO, a ser liquidado na data de 22/10/2014, em dois valores, sendo R$ 10.000,00 e R$ 100.000,00 KAFTA- entrega no endereço Avenida Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco A, 3o andar, Jd. São Luis, Centro Empresarial de SP, em São Paulo, a ser liquidado na data de 23/10/2014, no valor de R$ 500.000,00: Possivelmente FERNANDO BORIN GRAZIANO Possível sócio da CONSTREMAC, empresa do grupo COPABO, que presta serviços para ODEBRECHT Anotações em planilhas PADEIRO- entrega no Rua Haddock Lobo, 1259, apto. 72, Jardins na data de 22/10/2014, no valor de R$ 1.000.000,00 SERGIO [RODRIGUES DE SOUZA VAZ Policial Militar de Goiás (falecido) Anotações em planilhas GRISALHÃO- entrega na Rua Rua Santa Justina, 210, Mercure SP Vila Olimpia, Apto 1505, em São Paulo, a ser liquidado na data de 23/10/2014, no valor de R$ 500.000,00 ELISABETH OLIVEIRA Não foi identificada Anotações em planilhas
  20. 20. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br COXA- entrega no endereço Rua Gomes de Carvalho, 921, 5° andar, em SÃO PAULO, a ser liquidado nas datas de 23 e 24/10/2014, no valor de R$ 500.000,00 cada uma BRUNO MARTINS GONÇALVES FERREIRA Sócio da SOTAQUE BRASIL PROPAGANDA Anotações em planilhas PROFESSOR – entrega no endereço Alameda Lorena, 427, 5° andar, cj. 51 e 52, em São Paulo, a ser liquidado nas datas de 22/10/2014, no valor de R$ 240.000,00: LUIZ APOLONIO NETO Sócio da LS CONSULTORIA foi diretor do Instituto de Resserguros do Brasil em 2005 tendo sido (aparentemente) investigado por irregularidades Anotações em planilhas PROXIMUS- entrega no endereço Avenida das Américas, 3500, Torre Hong Kong 1000, Sala 312, Bloco 5, Le Monde, Rio de Janeiro/RJ, a serem liquidados nas datas de 16/09, 24/10, 29/10, 12/11 e 13/11 nos valores de R$ 500.000,00 cada um. Há ainda menção à obra vinculada como sendo “METRO LINHA 4- OESTE OLIVIA VIEIRA Não identificada Anotações em planilhas PEQUI- duas entregas no endereço na Rua LOURIVAL [FERREIRA NERY] Ex-diretor financeiro da Companhia Anotações em planilhas
  21. 21. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Ministro Godoy, 1131, apto 93, Perdizes, SÃO PAULO/SP, com o título EVENTO- 14-DP e tendo como responsável MBO, nos dias 13 e 14/11/2014, nos valores de R$ 500.000,00 cada uma JUNIOR Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) LAS VEGAS- o endereço na Asa Norte, Quadra 5, Bloco G, Mercure Brasilia Eixo, apto 109, com indicação da obra DP-ODB e responsável HS (possivelmente indicando o executivo HILBERTO SILVA), no dia 04/11, no valor de R$ 50.000,00. DOUGLAS [FRANZONI RODRIGUES] Foi comissionado em cargos do Poder Executivo Federal – ligado a ANDERSON DORNELES, o qual foi recentemente exonerado do Gabinete da Casa Civil por suspeita de sócio oculto de um bar no Estádio Beira Rio. Anotações em planilhas A representação policial registra ainda cinco endereços de entregas no hotel Blue Tree Faria Lima com a indicação do beneficiário SOCIAL e da obra AGROINDUSTRIAL “nas datas de 24 (R$ 380.000,00), 25 (R$ 500.000,00) e 26/02 (R$ 500.000,00) e nos dias 04 (R$ 500.000,00) e 05/03 e (R$ 500.000,00). Não há indicação de número de quarto.” Por fim, insta salientar que foram identificadas pela Polícia Federal as pessoas de MARCELO CASTRO LIMA – aparece na representação como associado às entrega de “convites” e PEDRO relacionado a entregas do codinome FLAMENGUISTA.
  22. 22. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Contudo, a Polícia Federal nada requereu em relação a tais pessoas, sendo que o MPF, por ora, não vê razões para requerimentos em face desses alvos cujas funções ainda merecem ser melhores elucidadas. 2. MEDIDAS CAUTELARES SOLICITADAS Em razão dos fatos mencionados, a autoridade pleiteia medidas cautelares nos seguintes termos: 2.1 BUSCA E APREENSÃO a) LOCAIS DE ENTREGAS DE VALORES Em relação aos locais de entregas de valores, a autoridade policial representa por diligência para identificação dos beneficiários. Ressalta, todavia, que não se trata de diligência que tem por condão a ampla busca e apreensão nos endereços pelo fato do que se visa é identificar os emissários das entregas do dinheiro. Sustenta que em relação aos recebedores de recursos já identificados, é necessária a realização da imediata oitiva. Sobre o tema, o MPF requer seja realizada a imediata oitiva e a busca e apreensão mais ampla do que o solicitado pela autoridade policial em relação aos beneficiários já identificados, mormente para apreender o possível dinheiro em espécie oculto (que pode caracterizar o produto do crime contra a administração pública) como também outros documentos de relevância para investigação, como documentos que possa justificar o recebimento dos recursos possivelmente espúrios como contratos de obras públicas, vinculação com servidores públicos dentre outras coisas. Entretanto, é necessário cautela para apreender apenas documentos que podem ter objetivamente interesse para investigação a fim de não saturar a equipe de análise da Polícia Federal de forma desnecessária.
  23. 23. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br b) NOS LOCAIS E NOS OPERADORES FINANCEIROS QUE DISPONIBILIZAM RECURSOS EM ESPÉCIE Durante a investigação, foram identificados alguns operadores com a função de disponibilização dos recursos em espécie, suspeitando-se que algumas contas eram abastecidas por intermédio de operações de dolar-cabo, comandadas por FERNANDO MIGLIACIO (WATERLOO). Nesse sentido, a autoridade policial entende necessária busca e apreensão nesses operadores a fim de arrecadas itens relacionados aos crimes financeiros investigados, mormente o registro das contas utilizadas para movimentação dos recursos ilícitos. A medida de busca e apreensão no presente caso é imprescindível para correta elucidação dos fatos. Ademais, durante a Operação Lava Jato, tal diligência tem se mostrado importante para comprovar materialmente os crimes financeiros investigados. Sendo assim, o MPF opina favoravelmente à diligência de busca e apreensão nos locais e nos operadores responsáveis pela disponibilização de recursos em espécie listados na p. 30 da REPRESENTAÇÃO BUSCA 2 EVENTO 1. c) NAS RESIDÊNCIAS E ENDEREÇOS PROFISSIONAIS DOS FUNCIONÁRIOS DA ODEBRECHT ENVOLVIDOS NA PRÁTICAS CRIMINOSAS INVESTIGADAS. Como salientado na representação policial, durante as últimas apurações da Operação Lava Jato, foi detectada a existência de um grupo de funcionários orientado por executivos da ODEBRECTH para operacionalizar o pagamento de vantagem indevida a determinadas pessoas ainda não totalmente identificadas. Nesse contexto, a Polícia Federal representa pela busca e apreensão nos endereços relacionados aos profissionais da ODEBREBCTH envolvidos na operacionalização desses valores. Dessa forma, a Polícia Federal requer seja feita busca e apreensão em face de: 1)ALEXANDRE BISELLI; 2) ALYNE NASCIMENTO BORAZO; 3) ANTÔNIO CARLOS DAIHA BLANDO; 4) ANTONIO PESSOA DE SOUZA COUTO; 5)ANTONIO ROBERTO
  24. 24. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br GAVIOLI; 6) CARLOS JOSÉ VIEIRA MACHADO DA CUNHA; 7) CLAUDIO MELO FILHO; 8) EDUARDO JOSÉ MORTANI BARBOSA; 9) FABIO ANDREANI GANDOLFO; 10) FERNANDO LUIZ AYRES DA CUNHA SANTOS REIS; 11) FLAVIO BENTO DE FARIA; 12) ISAIAS UBIRACI CHAVES SANTOS; 13) JOÃO ALBERTO LOVERA; 14) NILTON COELHO DE ANDRADE JUNIOR; 15) PAUL ELIE ALTIT; 16) ROBERTO PRISCO PARAÍSO RAMOS; 17) RODRIGO COSTA MELO; 18) SERGIO LUIZ NEVES. Conforme exaustivamente exposto na manifestação, há evidências que tais pessoas estão envolvidas numa rede de distribuição de recursos espúrios dentro da ODEBRECHT. Assim, está justificada a medida de busca e apreensão em face desses funcionários, razão pela qual o MPF opina favoravelmente à diligência. d) NA RESIDÊNCIA E ENDEREÇO PROFISSIONAL DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA INSTALAÇÃO DO SISTEMA DROUSYS A autoridade policial requer a busca e apreensão na residência e no endereço profissional dos responsáveis pela instalação do sistema DROUSYS, sistema tecnológico utilizado para “comunicações” seguras. A diligência é necessária para apreender a prova de utilização do sistema para ocultar comunicações sobre as atividades ilícitas do grupo e possivelmente recuperar mensagens de interesse para a investigação. Dessa forma o MPF opina favoravelmente à diligência em face de 1) DRAFT SYSTEMS DO BRASIL LTDA; 2) PAULO SERGIO DA ROCHA SOARES; 3) CAMILLO GORNATI. e) NAS SEDES DA ODEBRECTH SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO A medida tem por finalidade extrair os registros da portaria e das caixas de e-mails de todos os executivos investigados. A diligência também é importante para a finalidade de obtenção de provas complementares sobre as atividades dos executivos investigados, motivo pelo qual o MPF opina favoravelmente. 2.2. PRISÕES PREVENTIVAS
  25. 25. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br a) OLIVIO RODRIGUES JUNIOR E MARCELO RODRIGUES Tratam-se de irmãos vinculados à GRACO CORRETORA. Ambos já haviam sido mencionados na representação que culminou na prisão de JOÃO SANTANA e MONICA MOURA. Estes dois aparecem nas anotações de MARIA LUCIA como vinculados à KLIENFELD. O douto delegado de Polícia Federal aduz ainda que os dois irmãos aparentemente estão vinculados a PAULO SERGIO DA ROCHA SOARES (irmão de LUIZ EDUARDO) e a CAMILLO GORMATI, responsáveis por montar o sistema de comunicação entre o Setor de Operações Financeiras e os operadores financeiros responsáveis por garantir a internalização dos valores espúrios. Em razão de todos esses fatos, a autoridade policial representa pela prisão preventiva de OLIVIO RODRIGUES JUNIOR e MARCELO RODRIGUES. Com razão a autoridade policial. Os pressupostos e os fundamentos da prisão preventiva estão presentes. Há fatos comprovando a autoria e materialidade no controle direto de OLIVIO RODRIGUES JUNIOR e seu irmão, MARCELO RODRIGUES, nas contas secretas utilizadas para pagamento de propina da ODEBRECHT no exterior, como também para operacionalização do pagamento em espécie no Brasil. As evidências apresentadas pela Polícia Federal demonstraram que os investigados atuaram com profissionalismo e habitualidade na organização criminosa que se apoderou da PETROBRAS. Além disso, constata-se o alto grau de ousadia dos alvos, tendo em conta que mesmo com o início da Operação Lava Jato eles continuaram a operacionalizar recursos para pagamentos espúrios até recentemente. Presentes provas suficientes de autoria e materialidade, constata-se a presença dos fundamentos da prisão preventiva. Também estão presentes os fundamentos para a prisão cautelar, tendo em conta que o manuseamento de contas secretas no exterior impossibilita a apreensão dos recursos espúrios e dificulta a obtenção de provas.
  26. 26. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Assim, a prisão preventiva deve ser decretada para a garantia da instrução processual, pelo risco efetivo de dissipação dos recursos ocultos no exterior, e da ordem pública e econômica, tendo em conta a gravidade em concreto dos fatos. Além disso, as últimas apurações demonstraram que a ODEBRECTH remanejou funcionários envolvidos no gerenciamento de contas secretas para o exterior, a fim de dificultar a aplicação da lei penal. Isso aconteceu com FERNANDO MIGLIACCIO, sendo que OLIVIO RODRIGUES JUNIOR também se mudou para o exterior durante o curso da Operação Lava Jato, retornando recentemente. Nessa linha, justifica-se a prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal. Nos autos nº 5027771-40.2015.4.04.7000, este douto juízo decretou a prisão preventiva de JORGE LUIZ ZELADA sob o fundamento de que a movimentação de contas secretas no exterior após o início da Operação Lava Jato coloca em risco à ordem pública e à aplicação da lei penal: Os fatos acima ainda revelam que, mesmo com a deflagração e a notoriedade obtidas em 2014 pela assim denominada Operação Lava Jato, persistiu o referido investigado na prática reiterada de novos crimes, desta feita de lavagem de dinheiro. A transferência dos ativos criminosos de contas secretas na Suiça para contas secretas em Monaco, em ambos os casos com utilização de off- shores para esconder a titularidade dos valores, representa, em cada operação, novos atos de lavagem de dinheiro. Além disso, representam a tentativa de Jorge Luiz Zelada de frustrar o sequestro e o confisco dos ativos criminosos, uma vez que foram realizadas após a notícia do sequestro de ativos de Paulo Roberto Costa na Suíça. Ainda não se tem, por outro lado, informações seguras do montante recebido por Jorge Luiz Zelada no esquema criminoso que lesou à Petrobrás. Observando os extrato das contas mantidas em Monaco, há também registro de transferências a débito vultosas para outras contas na China e outras conta na Suíça, aparentemente esta controlada por sócio no Brasil do investigado. Esses ativos ainda não foram recuperados ou sequestrados. A conduta do investigado colocou em risco as chances de recuperação integral dos ativos criminosos.
  27. 27. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Não se deve exluir a possibilidade de existirem outras contas, pois, há indícios de que Jorge Luiz Zelada tem outras contas na Suíça (como a Stone Peach) e é provável que seu sócio no Brasil esteja ocultando ativos para ele (como na Atlas Asset). Sem a preventiva, há risco concreto da prática de novos atos de lavagem por parte de Jorge Luiz Zelada em relação aos ativos secretos ainda não bloqueados, com o que as chances de recuperação dos ativos pela Justiça brasileira serão frustrados. Enquanto a recuperação de cerca de 97 milhões de dólares de Pedro Barusco, assim como dos valores acordados para devolução com Paulo Roberto Costa no exterior e no Brasil, representam, em princípio, um grande trunfo institucional, fruto do trabalho da Polícia Federal, do Ministério Publico Federal e do DRCI/MJ, a recuperação integral dos valores mantidos no exterior em contas secretas por Jorge Luiz Selada será frustrada caso se admita que ele permaneça em liberdade quando se verificou que, já no curso das investigações, praticou novos atos de lavagem de dinheiro buscando ocultar ainda mais o produto de sua atividade criminosa. A reiteração delitiva, ainda mais já no curso das investigações, é usualmente apontada pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, como fundamento suficiente para a decretação da prisão preventiva, já que existente risco à ordem pública. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mesmo resguardando a excepcionalidade da prisão preventiva, admite a medida para casos nos quais se constate habitualidade criminosa e reiteração delitiva: ‘A prisão cautelar justificada no resguardo da ordem pública visa prevenir a reprodução de fatos criminosos e acautelar o meio social, retirando do convívio da comunidade o indíviduo que diante do modus operandi ou da habitualidade de sua conduta demonstra ser dotado de periculosidade.’ (da ementa de vários precedentes, dentre eles HC 106.067/CE, 6.ª Turma do STJ, Rel. Des. Jane Silva, j. 26/08/2008; HC 114.034/RS, 5.ª Turma, Rel. Min. Napoleão Nunes, j. 03/02/2009; HC 106.675, 6.ª Turma do STJ, Rel. Des. Jane Silva, j. 28/08/2008) ‘Não há falar em constrangimento ilegal quando a custódia preventiva do réu foi imposta mediante idônea motivação, sobretudo na garantia da ordem pública, para evitar a reiteração criminosa e acautelar o meio social, dada a sua periculosidade.’ (HC 100.714/PA, 5.ª Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, j. 18/12/2008).
  28. 28. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br ‘Nos termos da jurisprudência consolidada desta Corte, a reiteração de condutas ilícitas, o que denota ser a personalidade do paciente voltada para a prática delitiva, obsta a revogação da medida constritiva para garantia da ordem pública.’ (HC 75.717/PR, 5.ª Turma, Rel. Des. Jane Silva, j. 06/09/2007) ‘A reiteração de condutas criminosas, denotando a personalidade voltada para a prática delitiva, obsta a revogação da medida constritiva para garantia da ordem pública.’ (HC 64.390/RJ – 5.ª Turma – Rel. Min. Gilson Dipp, j. 07/12/2006) Essa jurisprudência não discrepa da adotada pelo Supremo Tribunal Federal, v.g.: “A decretação da prisão preventiva baseada na garantia da ordem pública está devidamente fundamentada em fatos concretos a justificar a segregação cautelar, em especial diante da possibilidade de reiteração criminosa, a qual revela a necessidade da constrição.” (HC 96.977/PA, 1.ª Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 09/06/2009) ‘”risão preventiva para garantia da ordem pública face a circunstância de o réu ser dado à prática de roubos qualificados pelo emprego de arma de fogo em concurso de pessoas. Real possibilidade de reiteração criminosa. A periculosidade do réu, concretamente demonstrada, autoriza a privação cautelar da liberdade para garantia da ordem pública.” (HC 96.008/SP, 2.ª Turma, Rel. Min. Eros Grau, j. 02/12/2008) É certo que a maioria dos precedentes citados não se refere a crimes de lavagem de dinheiro, mas o entendimento de que a habitualidade criminosa e reiteração delitiva constituem fundamentos para a prisão preventiva é aplicável, com as devidas adaptações, mesmo para crimes desta espécie. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento de habeas corpus impetrado em favor de subordinado de Alberto Youssef, além de reiterar o entendimento da competência deste Juízo para os processos da assim denominada Operação Lavajato, consignou, por unanimidade, a necessidade da preventiva em vista dos riscos à ordem pública, Relator, o eminente Ministro Newton Trisotto (Desembargador Estadual convocado): “PENAL. PROCESSO PENAL. CONSTITUCIONAL. HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO A RECURSO PRÓPRIO. OPERAÇÃO ‘LAVA JATO’. PACIENTE PRESO PREVENTIVAMENTE E DEPOIS DENUNCIADO POR INFRAÇÃO
  29. 29. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br AO ART. 2º DA LEI N. 12.850/2013; AOS ARTS. 16, 21, PARÁGRAFO ÚNICO, E 22, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, TODOS DA LEI N. 7.492/1986, NA FORMA DOS ARTS. 29 E 69, AMBOS DO CÓDIGO PENAL; BEM COMO AO ART. 1º, CAPUT, C/C O § 4º, DA LEI N. 9.613/1998, NA FORMA DOS ARTS. 29 E 69 DO CÓDIGO PENAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. 01. De ordinário, a competência para processar e julgar ação penal é do Juízo do ‘lugar em que se consumar a infração ‘ (CPP, art. 70, caput). Será determinada, por conexão, entre outras hipóteses, ‘quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração ‘ (art. 76, inc. III).Os tribunais têm decidido que: I) ‘Quando a prova de uma infração influi direta e necessariamente na prova de outra há liame probatório suficiente a determinar a conexão instrumental ‘; II) ‘Em regra a questão relativa à existência de conexão não pode ser analisada em habeas corpus porque demanda revolvimento do conjunto probatório, sobretudo, quando a conexão é instrumental; todavia, quando o impetrante oferece prova pré-constituída, dispensando dilação probatória, a análise do pedido é possível ‘ (HC 113.562/PR, Min. Jane Silva, Sexta Turma, DJe de 03/08/09). 02. Ao princípio constitucional que garante o direito à liberdade de locomoção (CR, art. 5º, LXI) se contrapõe o princípio que assegura a todos direito à segurança (art. 5º, caput), do qual decorre, como corolário lógico, a obrigação do Estado com a ‘preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio ‘ (CR, art. 144).Presentes os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva não viola o princípio da presunção de inocência. Poderá ser decretada para garantia da ordem pública – que é a ‘hipótese de interpretação mais ampla e flexível na avaliação da necessidade da prisão preventiva. Entende-se pela expressão a indispensabilidade de se manter a ordem na sociedade, que, como regra, é abalada pela prática de um delito. Se este for grave, de particular repercussão, com reflexos negativos e traumáticos na vida de muitos, propiciando àqueles que tomam conhecimento da sua realização um forte sentimento de impunidade e de insegurança, cabe ao Judiciário determinar o recolhimento do agente ‘ (Guilherme de Souza Nucci). Conforme Frederico Marques, ‘desde que a permanência do réu, livre ou solto, possa dar motivo a novos crimes, ou cause repercussão danosa e prejudicial ao meio social, cabe ao juiz decretar a prisão preventiva como garantia da ordem pública ‘. Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça (RHC n. 51.072, Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 10/11/14) e o Supremo
  30. 30. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Tribunal Federal têm proclamado que ‘a necessidade de se interromper ou diminuir a atuação de integrantes de organização criminosa, enquadra-se no conceito de garantia da ordem pública, constituindo fundamentação cautelar idônea e suficiente para a prisão preventiva’ (STF, HC n. 95.024, Min. Cármen Lúcia; Primeira Turma, DJe de 20.02.09). 03. Havendo fortes indícios da participação do investigado em ‘organização criminosa’ (Lei n. 12.850/2013), em crimes de ‘lavagem de capitais’ (Lei n. 9.613/1998) e ‘contra o sistema financeiro nacional (Lei n. 7.492/1986), todos relacionados a fraudes em processos licitatórios das quais resultaram vultosos prejuízos a sociedade de economia mista e, na mesma proporção, em seu enriquecimento ilícito e de terceiros, justifica-se a decretação da prisão preventiva como garantia da ordem pública. Não há como substituir a prisão preventiva por outras medidas cautelares (CPP, art. 319) ‘quando a segregação encontra-se justificada na periculosidade social do denunciado, dada a probabilidade efetiva de continuidade no cometimento da grave infração denunciada ‘ (RHC n. 50.924/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 23/10/2014). 04. Habeas corpus não conhecido.’ (HC 302.604/PR – Rel. Min. Newton Trisotto – 5.ª Turma do STJ – un. – 25/11/2014) Sendo esse o posicionamento específico da nossa Corte de Cassação em relação aos operadores do esquema de lavagem de dinheiro, como, v.g., João Procópio Junqueira Pacheco, importante subordinado de Alberto Youssef, tanto mais a preventiva se justifica em relação aos principais responsáveis, como é o caso em relação aos Diretores da Petrobrás que, corrompendo-se, propiciaram as fraudes às licitações e aos contratos da empresa estatal. A dimensão em concreta dos fatos delitivos – jamais a gravidade em abstrato – também pode ser invocada como fundamento para a decretação da prisão preventiva. Não se trata de antecipação de pena, nem medida da espécie é incompatível com um processo penal orientado pela presunção de inocência. Sobre o tema, releva destacar o seguinte precedente do Supremo Tribunal Federal. ‘HABEAS CORPUS. PRISÃO CAUTELAR. GRUPO CRIMINOSO. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. CRIME DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO. SÚMULA 691. 1. A presunção de inocência, ou de não culpabilidade, é princípio cardeal no processo penal em um Estado Democrático de Direito. Teve longo desenvolvimento histórico, sendo considerada uma conquista da
  31. 31. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br humanidade. Não impede, porém, em absoluto, a imposição de restrições ao direito do acusado antes do final processo, exigindo apenas que essas sejam necessárias e que não sejam prodigalizadas. Não constitui um véu inibidor da apreensão da realidade pelo juiz, ou mais especificamente do conhecimento dos fatos do processo e da valoração das provas, ainda que em cognição sumária e provisória. O mundo não pode ser colocado entre parênteses. O entendimento de que o fato criminoso em si não pode ser valorado para decretação ou manutenção da prisão cautelar não é consentâneo com o próprio instituto da prisão preventiva, já que a imposição desta tem por pressuposto a presença de prova da materialidade do crime e de indícios de autoria. Se as circunstâncias concretas da prática do crime revelam risco de reiteração delitiva e a periculosidade do agente, justificada está a decretação ou a manutenção da prisão cautelar para resguardar a ordem pública, desde que igualmente presentes boas provas da materialidade e da autoria. 2. Não se pode afirmar a invalidade da decretação de prisão cautelar, em sentença, de condenados que integram grupo criminoso dedicado à prática do crime de extorsão mediante sequestro, pela presença de risco de reiteração delitiva e à ordem pública, fundamentos para a preventiva, conforme art. 312 do Código de Processo Penal. 3. Habeas corpus que não deveria ser conhecido, pois impetrado contra negativa de liminar. Tendo se ingressado no mérito com a concessão da liminar e na discussão havida no julgamento, é o caso de, desde logo, conhecê- lo para denegá-lo, superando excepcionalmente a Súmula 691.’ (HC 101.979/SP – Relatora para o acórdão Ministra Rosa Weber – 1ª Turma do STF – por maioria – j. 15.5.2012). A esse respeito, merece igualmente lembrança o conhecido precedente do Plenário do Supremo Tribunal no HC 80.717-8/SP, quando mantida a prisão cautelar do então juiz trabalhista Nicolau dos Santos Neto, em acórdão da lavra da eminente Ministra Elle Gracie Northfleet. Transcrevo a parte pertinente da ementa: “(…) Verificados os pressupostos estabelecidos pela norma processual (CPP, art. 312), coadjuvando-os ao disposto no art. 30 da Lei nº 7.492/1986, que reforça os motivos de decretação da prisão preventiva em razão da magnitude da lesão causada, não há falar em revogação da medida acautelatória. A necessidade de se resguardar a ordem pública revela-se em consequência dos graves prejuízos causados à credibilidade das instituições públicas.” (HC 80.711-8/SP – Plenário do STF – Rel. para o acórdão Ministra Ellen Gracie Northfleet – por maioria – j. 13/06/2014)
  32. 32. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Embora aquele caso se revestisse de circunstâncias excepcionais, o mesmo pode ser dito para o presente, sendo, aliás, os danos decorrentes dos crimes imputados aos ex-dirigentes da Petrobras muito superiores aqueles verificados no precedente citado. Como já consignou o eminente Ministro Newton Trisotto ao negar seguimento ao HC 315.158/PR impetrado em favor de coacusado: “Nos últimos 20 (vinte) anos, nenhum fato relacionado à corrupção e à improbidade administrativa, nem mesmo o famigerado “mensalão”, causou tanta indignação, tanta “repercussão danosa e prejudicial ao meio social ”, quanto estes sob investigação na operação “Lava Jato” – investigação que a cada dia revela novos escândalos.” Ficando apenas nos danos provocados à Petrobrás em decorrência dos malfeitos, teve ela severamente comprometida sua capacidade de investimento, sua credibilidade e até mesmo o seu valor acionário, como vem sendo divulgado diuturnamente na imprensa. O prejudicado principal, em dimensão de inviável cálculo, o cidadão brasileiro, já que prejudicados parcialmente os investimentos da empresa, com reflexos no crescimento econômico. Mais grave ainda, embora esta parte dos crimes esteja sob a competência do Supremo Tribunal Federal, propinas também eram dirigidas a agentes políticos e a partidos políticos, corrompendo o regime democrático. Com o levantamento do sigilo sobre os depoimentos prestados na colaboração premiada, foi revelado que dezenas de parlamentares, incluindo agentes políticos de destaque, teriam recebido valores decorrentes do esquema criminoso, parte para financiamento eleitoral, parte para enriquecimento ilícito pessoal. Caso os depoimentos sejam confirmados pelas investigações, e para alguns já há registros documentais (como os depósitos bancários apreendidos no escritório de Alberto Youssef em favor de um Senador), a gravidade em concreto dos fatos delitivos assumirá uma dimensão ainda muito superior aos danos já provocados à Petrobrás. O apelo à ordem pública, para prevenir novos crimes de lavagem ou ainda em decorrência de gravidade em concreta dos crimes praticados, justifica a preventiva. Também de se reconhecer o risco à aplicação da lei penal, pois as condutas do investigado no segundo semestre de 2014 buscaram frustrar o sequestro e o confisco dos ativos, ameaçando este importante objetivo da Justiça criminal, a recuperação integral do produto do crime.
  33. 33. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Apesar da presunção de inocência e da excepcionalidade da prisão cautelar, a medida se justifica diante da reiteração por parte de Jorge Luiz Zelada de atos de lavagem de dinheiro durante a investigação, colocando igualmente em risco as chances das autoridades brasileiras de recuperarem o produto do crime. Presentes, portanto, não só os pressupostos da prisão preventiva, boa prova de materialidade e de autoria, mas igualmente os fundamentos, o risco à ordem pública e o risco à aplicação da lei penal, deve ser deferido o requerimento do MPF de prisão preventiva de Jorge Luiz Zelada . Assim, por estes fundamentos, o MPF manifesta-se favorável à decretação da prisão preventiva de OLIVIO RODRIGUES JUNIOR e MARCELO RODRIGUES. b) ALVARO JOSE GALLIEZ NOVIS (CARIOCA/ PAULISTINHA) A representação policial também intenta a prisão preventiva de ALVARO JOSE GALLIEZ NOVIS, responsável pelas contas “CARIOQUINHA” e “PAULISTINHA”. Segundo a representação, ALVARO NOVIS operava por intermédio da HOYA CORRETORA, tendo a disponibilidade de valores milionários na sua conta corrente junto a ODEBRECHT, sendo o principal prestador de serviços para a empreiteira. Nesse contexto, a autoridade policial afirma que: “pela continuidade e gravidade conduta delitiva empreendido no seio de instituição sujeita a controle estatal, entendemos imprescindível a decretação da medida de prisão preventiva em relação a ALVARO GALLIEZ NOVIS.” Com razão a autoridade policial. As provas produzidas demonstraram que ALVARO GALLIEZ NOVIS era um dos principais operadores da ODEBRECHT. Nesse sentido, ocupava um papel de destaque na estrutura da organização criminosa, havendo indícios de que ele mantinha uma conta com mais de R$ 60 milhões junto à empreiteira. Sendo assim, trata-se de agente com papel central de relevância e liderança na estrutura financeiro do grupo criminoso, que utilizava a instituição financeira HOYA
  34. 34. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br CORRETORA para operacionalização de valores espúrios, gerindo fraudulentamente a corretora de câmbio, operando, inclusive por intermédio de dolar-cabo, com disponibilidade de recursos no exterior. Em razão disso, havendo indícios suficientes de autoria e materialidade, estão presentes os pressupostos para a decretação da prisão preventiva. Há também presença dos fundamentos da detenção cautelar para a garantia da ordem pública, econômica e para assegurar a aplicação da lei penal, mormente pela disponibilidade de recursos no exterior, motivo pelo qual o MPF opina favoravelmente à representação da autoridade policial. c) LUIZ EDUARDO DA ROCHA SOARES E HILBERTO MASCARENHAS ALVES DA SILVA FILHO As evidências demonstram que LUIZ EDUARDO e HILBERTO MASCARENHAS ocupavam posição de lideranças nas atividades de comando com chamado “caixa 2” da ODEBRECHT, orientando a atividade do chamado Grupo de Operações Estruturadas. Conforme declarado por MARIA LUCIA, LUIZ EDUARDO tinha ascendência hierárquica na equipe. De acordo com a Polícia Federal, o investigado LUIZ EDUARDO SOARES foi transferido pela ODEBRECHT para o exterior após a deflagração da 14ª fase da Operação Lava Jato, encontrando-se fora do Brasil desde 21/06/2015. Há notícia ainda que foi o irmão de LUIZ EDUARDO, PAULO SERGIO DA ROCHA SOARES, foi o responsável pelo sistema DROUSYS. Já HILBERTO MASCARENHAS ALVES SILVA FILHO foi identificado como o gestor da offshore SMITH & NASH que possui contas na Suíça utilizadas para intermediar repasses milionários de propina a diretores da PETROBRAS, conforme restou recentemente sentenciado nos autos nº 5036528-23.2015.4.04.7000 em tramitação perante este juízo. Ele já foi objeto de condução coercitiva na 23ª fase, afirmando que tinha um papel secundário na organização da empresa ODEBRECHT, o que, à luz das evidências colacionadas, não corresponde com a realidade fática. Dessa forma, estão presentes os pressupostos de autoria e materialidade dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, evasão de divisas e pertencimento à organização
  35. 35. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br criminosa e os fundamentos da prisão preventiva para garantia da ordem pública, econômica e para assegurar a aplicação da lei penal. Por esses motivos, o MPF opina favoravelmente à decretação da prisão preventiva deses investigados. d) BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR e MARCELO ODEBRECHT A autoridade policial pugna pela prisão preventiva de BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR, que já foi alvo de prisão temporária durante a 23ª fase da Lava jato, e um novo decreto de prisão preventiva em face de MARCELO ODEBRECTH. Conforme a representação: “Com relação a BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR, que já foi alvo na 23ª fase da OPERAÇÃO LAVAJATO, entendemos que os indícios reunidos reforçam o seu envolvimento no crime de corrupção e lavagem de capitais. A menção ao seu nome não se limita à planilha encontrada no e-mail de FERNANDO MIGLIACCIO, mas também é repetida no material apreendido em posse de MARIA LÚCIA. Considerando que agora é possível entender, com clareza, o funcionamento da contabilidade paralela da ODEBRECHT, não há dúvidas de que BENEDICTO JUNIOR tinha plena ciência de que parte dos recursos da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA eram utilizados para o pagamento de vantagem indevida. O diálogo mantido com MARCELO ODEBRECHT sobre o pagamento de 15 milhões a MINEIRINHO não permite outra interpretação a respeito da atuação de BENEDICTO JUNIOR na organização criminosa.” Muito embora o órgão ministerial concorde que houve um incremento relevante nas evidências probatórias da participação deste agente nas atividades criminosas, por ora, o Ministério Publico Federal entende que, no presente momento, não há fundamento para a prisão preventiva de BENEDICTO, não descartando a mudança de posicionamento após a deflagração da próxima fase ostensiva da investigação. Em relação a MARCELO ODEBRECTH, a Polícia Federal ressalta que os avanços das investigações reforçaram o papel de liderança exercido pelo executivo no comando das atividades criminosas da empresa. “MBO” era quem requisitava os pagamentos para JOÃO SANTANA.
  36. 36. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br Em que pese concordar com a Polícia Federal com relação à presença de novas evidências, por enquanto, o Ministério Público Federal entende que não é o caso de nova prisão preventiva em face de MARCELO ODEBRECHT. Atualmente, os fundamentos iniciais persistem de modo que é dispensável a decretação da nova prisão. 2.3. PRISÕES TEMPORÁRIAS A autoridade policial requer a prisão temporária dos seguintes pessoas: a) RESPONSÁVEIS PELA DISPONIBILIZAÇÃO DE RECURSOS EM ESPÉCIE ANTONIO CLAUDIO ALBERNAZ CORDEIRO, o TONINHO, era uma das pessoas que disponibilizavam valores em espécie para a ODEBRECTH. b) DOS FUNCIONÁRIOS DA ODEBRECHT ENVOLVIDOS NO PAGAMENTOS DE RECURSOS EM ESPÉCIE A TERCEIROS, BEM COMO AQUELES RESPONSÁVEIS PELA IMPLANTAÇÃO DOS SISTEMA DE COMUNICAÇÃO. A Polícia Federal representa pela prisão temporária de: a) ROBERTO PRISCO PARAÍSO RAMOS; b) ISAIAS UBIRACI CHAVES SANTOS; c) RODRIGO COSTA MELO; d) SERGIO LUIZ NEVES; e) ANTONIO PESSOA DE SOUZA COUTO; f) PAUL ELIE ALTIT; g) SERGIO LUIZ NEVES; h) JOÃO ALBERTO LOVERA. A autoridade policial entende que é “imprescindível a decretação de medida pessoal cautelar (prisão temporária) em relação aos novos executivos agora implicados em conduta criminosa, de modo a assegurar a adoção de outras diligências necessárias à investigação, tais como o cumprimento de mandados de busca e apreensão.”
  37. 37. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br c) DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA INSTALAÇÃO DO SISTEMA DROUSYS A Polícia Federal requer a detenção temporária das seguintes pessoas envolvidas na instalação do sistema DROUSYS: 1) CAMILLO GORNATI- providência essencial para obter informações quanto à utilização do sistema e evitar demais providências em andamento; 2) PAULO SERGIO DA ROCHA SOARES- responsável pela montagem do sistema DROUSYS. Como já salientado, foi detectada uma estrutura profissional e habitual para operacionalização de pagamento de vantagens indevidas pelo Grupo ODEBRECHT, com a participação de diversos executivos. A partir da análise da representação, constata-se que estão preenchidos os requisitos para decretação da prisão temporária. Em primeiro lugar, há evidências de autoria de materialidade em relação a todos os representados. A lei nº 7.960/1989 dispõe sobre a prisão temporária. Segundo o art. 1º da legislação, caberá prisão temporária: 1) “quando imprescindível para as investigações do inquérito policial”; 2) e “quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: I) quadrilha ou bando (art. 288); e II) crimes contra o sistema financeiro”. No presente momento, há indicativos de que os investigados estiveram envolvido nos crimes de quadrilha (atual denominação associação criminosa ou organização criminosa) e crimes contra o sistema financeiro nacional, sendo certo que a decretação da prisão temporária será imprescindível para o êxito das investigações porque impedirá que os investigados perturbem a colheita de provas ou combinem versões. 2.4. CONDUÇÕES COERCITIVAS Por fim, os delegados de Polícia Federal requerem a condução coercitiva para esclarecimentos das seguintes pessoas:
  38. 38. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br a) DOS EMISSÁRIOS IDENTIFICADOS COMO RESPONSÁVEIS PELO RECEBIMENTOS IDENTIFICADOS: Foram identificadas as seguintes pessoas: 1) ANDRÉ AGOSTINI MORENO; 2) ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA; 3)ANTONIO CARLOS VIEIRA DA SILVA JUNIOR; 4) BRUNO MARTINS GONÇALVES FERREIRA; 5) DOUGLAS FRANZONI RODRIGUES; 6) ELISABETH MARIA DE SOUZA OLIVEIRA; 7) FLAVIO LUCIO MAGALHAES; 8) GUSTAVO FALCAO SOARES; 9) LOURIVAL FERREIRA NERY JUNIOR; 10) LUIZ APPOLONIO NETO; 11) LUIZ ROQUE SILVA ALVES; 12) MAIARA PRADO RIBEIRO DO LAVOR; 13) ROGERIO MARTINS; 14) WILLIAN ALI CHAIM. b) FUNCIONÁRIOS DA ODEBRECTH MENCIONÁRIOS NAS PLANILHAS COMO RESPONSAVEIS PELO PAGAMENTO DE RECURSOS EM ESPÉCIE Foram identificados os seguintes funcionários: 1) ALEXANDRE BISELLI; 2) ALYNE NASCIMENTO BORAZO; 3) ANTÔNIO CARLOS DAIHA BLANDO; 4) ANTONIO ROBERTO GAVIOLI; 5) CARLOS JOSÉ VIEIRA MACHADO DA CUNHA; 6) CLAUDIO MELO FILHO; 7) EDUARDO JOSÉ MORTANI BARBOSA; 8) FABIO ANDREANI GANDOLFO; 9) FERNANDO LUIZ AYRES DA CUNHA SANTOS REIS; 10)FLAVIO BENTO DE FARIA; 11) NILTON COELHO DE ANDRADE JUNIOR. c) PEDIDO DO EVENTO 5 Em complementação às conduções coercitivas para esclarecimentos, a autoridade policial requer no evento 5 a condução de MARCELO MARQUES CASIMIRO, identificado pelo COAF como um dos depositantes da conta de ANTONIO CARLOS VIEIRA DA SILVA JUNIOR. Como já salientado pelo douto juízo nos autos nº 5004872-14.2016.4.04.7000: “Medida da espécie não implica cerceamento real da liberdade de locomoção, visto que
  39. 39. MPF Ministério Público Federal Procuradoria da República no Paraná www.prpr.mpf.gov.br dirigida apenas a tomada de depoimento. Mesmo com a condução coercitiva, mantém-se o direito ao silêncio dos investigados.” No caso, as conduções se justificam. É importante ouvir os emissários sobre a razão dos recebimentos. Os funcionários da ODEBRECHT deverão esclarecer melhor as estruturas de funcionamento do Grupo de Operações estruturadas e o depositante das contas de ANTONIO CARLOS, deverá esclarecer as circunstâncias do depósito. Em razão disso, o MPF opina favorável a todas às conduções coercitivas solicitadas. Curitiba, 14 de março de 2016. ______________________________ Deltan Martinazzo Dallagnol Procurador da República ______________________________ Orlando Martello Procurador Regional da República ______________________________ Diogo Castor de Mattos Procurador República ______________________________ Carlos Fernando dos Santos Lima Procurador Regional da República ______________________________ Antônio Carlos Welter Procurador Regional da República ______________________________ Januário Paludo Procurador Regional da República ______________________________ Roberson Henrique Pozzobon Procurador da República ______________________________ Athayde Ribeiro Costa Procurador da República ______________________________ Paulo Roberto Galvão de Carvalho Procurador da República ______________________________ Laura Tessler Procuradora da República ______________________________ Julio Noronha Procurador da República

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