home Direito e cidadania, Economia, Eleicoes, Policia, Política Integra do depoimento de Lula em 2015 e 2016 a Policia Federal – Lava Jato ( #SaiDilma )

Integra do depoimento de Lula em 2015 e 2016 a Policia Federal – Lava Jato ( #SaiDilma )

Disponibilizamos os dois depoimentos do ex-presidente Luis Inacio de Lula dado a Policia Federal, o primeiro de 2015 e o segundo em 2016, dado durante a Operação Aletheia – 24ª da Lava Jato para as devidas comparações. 

Ex-presidente Lula declarou a PF que não possui bens – Lava Jato

Depoimento de Lula em 2016 à Policia Federal – Operação Aletheia – 24ª da Lava Jato

Depoimento de Lula em 2015 à Policia Federal – Operação Lava Jato

Depoimento Lula 2015 Policia Federal

  1. 1. • •• DICOR/DPF Fis. 2883 Rub. /.l ( SERV1<;:0 PUBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLfCIA FEDERAL DIRETORIA DE INVESTIGA<;:ÂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF TERMO DE DECLARA~6ES que presta LUIZ INACIO LULA DA SILVA: Ao(s) 16 dia(s) do mes de dezembro de 2015, neste(a) Ediffcio-Sede do Departamento de Pollcia Federal, em BrasflialDF, onde presente se encontrava JOSELIO AZEVEDO DE SOUSA, Delegado de Pollcia Federal, Classe Especial, MatrfculalDPF n.Q 9.518, lotado(a) e em exercicio nO(a) Diretoria de Investigac;ao e Combate ao Crime Organizado – DICORlDPF, compareceu LUIZ INACIO LULA DA SILVA, sexe masculino, nacionalidade brasileira, casado(a), filho(a) de Aristides Inacio da Silva e Euridice Ferreira de Melo, nascido(a) aos 06/10/1945, natural de Garanhuns/PE, instruc;ao segundo grau completo, profissao Metalurgico, Documento de Identidade n.o 4343648 – SSP/SP, inscritO(a) no CPF/MF sob o n.Q 070.680.938-68, residente na(o) Avenida Francisco Prestes Maia, n.Q 1501, Bloco 01, Apto. 122, Bairro Santa Terezinha, CEP 09770-000, Sao Bernardo do Campo/SP. Inquirido(a) pela Autoridade Policial a respeito dos fatos em apuragao no presente apurat6rio, RESPONDEU: QUE em seu primeiro mandate os principais Partidos que compunham a sua base aliada eram: uma parte do PMDB, PTB, PT, PR, PCdoB, PDT, PSB e PP; QUE, alem destes, havia outros Partidos que nao se recorda; QUE em seu segundo mandato foram mantidos os mesmos Partidos e ainda houve o apoio majoritârio do PMDB; QUE este apoio estava baseado na afinidade dos Partidos com o programa de governO elaborado nas duas campanhas; QUE, em uma politica de coaliz5es, presume-se que haja a distribuic;ao de Ministerios e cargos importantes do Governo para os Partidos Politicos que comp5em a base de apoio; QUE seu primeiro Presidente nomeado para a PETROBRAS foi JOSE EDUARDO DUTRA; QUE JOSE EDUARDO DUTRA foi uma indicac;ao pessoal do Declarante, posta que era oriundo do setor petroquimico, Ge6logo, ex-Senador e tambem Sindicalista; QUE via JOSE EDUARDO DUTRA como alguem suficientemente competente para gerenciar a PETROBRAS; QUE o nome de RENATO DUQUE para assumir a Diretoria de Servic;os da PETROBRAS nao foi uma indicac;ao do Declarante; “,.'””””‘,., . G”O,mffi”OR (“o. “~ ,”o ~ (t’1)iP “‘~ 37022289859 Inq 3989
  2. 2. SERVT<;O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLiCIA FEDERAL DICOR/DPF Fis. 288l /.Rub. . DIRETORIA DE INVESTIGA<;ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GTNQ/STFIDICOR – GRUPO DE TNQUERITOS DO STF QUE o nome de RENATO DUQUE foi levado aCasa Civil da Presidencia da Republica, a epoca chefiada por JOSE DIRCEU; QUE cabia a Casa Civil receber as indicag6es partidârias e escolher a pessoa que seria nomeada; QUE nâo sabe se foi o PT ou outro Partido Politico que indicou RENATO DUQUE para assumir a Diretoria de Servigos; QUE nâo conhecia RENATO DUQUE; QUE nâo participou do processo de escolha do nome de RENATO DUQUE; QUE acha que NESTOR CERVERO foi uma indicagâo politica do PMDB; QUE NESTOR CERVERO era um funcionârio de carreira da PETROBRAS; QUE o processo de escolha dos nomes dos Diretores nâo contava com a participagâo do Declarante; QUE o Declarante recebia os nomes dos Diretores a partir • de acordos politicos firmados; QUE este processo de acordos politicos eram feitos normalmente pela Ministro da ârea, pela Coordenador Politico do Governo e pela Partido interessado na nomeagâo; QUE teve vârios Coordenadores Politicos ao longo de seus oito anos de mandate; QUE pode citar: TARSO GENRO, JACQUES WAGNER, ALEXANDRE PADILHA, ALDO REBELO etc.; QUE nâo se recorda qual destes articuladores politicos tratou das nomeag6es de RENATO DUQUE e tambem de NESTOR CERVERO; QUE, no caso de PAULO ROBERTO COSTA, seu nome foi apresentado pela Partido Progressista; QUE, assim como nos demais, o nome de PAULO ROBERTO COSTA foi levado a Casa Civil para deliberagâo e posterior nomeagâo pela Declarante; QUE os nomes dos indicados pelos Partidos nâo eram levados diretamente ao Declarante; QUE, como explicado acima, o processo de • escolha passava pela discussâo com os diversos envolvidos no aspecte politico e nâo somente com o Ministro-Chefe da Casa Civil; QUE ao final deste processo o Declarante concordava ou nâo com o nome apresentado, a partir dos criterios tecnicos que credenciavam o indicado; QUE indagado se tratou com JOSE JANENE sobre a indicagâo de PAULO ROBERTO COSTA para assumir a Diretoria de Abastecimento da PETROBRAS, o Declarante afirma que nunca conversou com JOSE JANENE a respeito de qualquer assunto; QUE nunca tratou com PEDRO HENRY ou com PEDRO CORREA sobre a indicagâo de PAULO ROBERTO COSTA; QUE nunca tratou com qualquer Lideranga de qualquer Partido sobre a indicagâo de algum nome para cargo da Administragâo Publica; QUE os nomes eram apresentados pela Governo, ou seja, RE N.’ 0008/2015-1 – GINQ/STF/DICOR (INQ. N.’ 3989 – STF) “”,t?J 37022289859 Inq 3989
  3. 3. DICOR/DPF Fis. —.:i;..G-G-l Rub. SERVI<;::O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLfcIA FEDERAL DIRETORIA DE INVESTIGA<;::ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF pelos articuladores politicos que levavam O nome a Casa Civil da Presidencia; QUE nunca se sentiu pressionado pela Partido Progressista a fim de que PAULO ROBERTO COSTA fosse nomeado Diretor de Abastecimento da PETROBRAS; QUE o PMDB nunca ofereceu apoio polîtico ao Governo a fim de manter PAULO ROBERTO COSTA no cargo de Diretor de Abastecimento, e se ofereceu tai apoio isto nao chegou ao conhecimento do Declarante; QUE indagado sobre quais Diretores da PETROBRAS foram indicados pela Partido dos Trabalhadores, o Declarante afirma que talvez RENATO DUQUE tenha sido uma indica9ao do PT; QUE JOSE SERGIO GABRIELLI foi uma indica9ao pessoal do Declarante; QUE indicou JOSE SERGIO GABRIELLI para • ser Diretor Financeiro da PETROBRAS em razao do mesmo ser um Economista altamente capacitado e por ser alguem de sua confian9a; QUE, da mesma forma, a indica9ao de JOSE SERGIO GABRIELLI para assumir a Presidencia da Companhia foi uma escolha do Declarante; QUE deseja afirmar que durante seus oito anos de mandate nao foram divulgadas ou informadas pela Polîcia Federal, pelo Ministerio Publico ou pela imprensa denuncias que envolvessem os nomes dos Diretores acima nominados; QUE conheceu JOĂO VACCARI NETO quando o mesmo presidia o Sindicato dos Bancarios do Estado de Sao Paulo; QUE sua rela9ao com JOĂO VACCARI NETO no Partido foi pequena, posta que em 1996 o Declarante deixou a Presidencia do PT; QUE em 2001, quando assumiu a Presidencia da Republica, passou ater menos contato com a Direc;:ao do Partido; QUE JOĂO VACCARI assumiu a • Tesouraria do Partido em 2010; QUE soube pela Dire9ao do Partido que JOĂO VACCARI fez um excelente trabalho a trente da Tesouraria do PT; QUE todos os membros da Dire9ao do Partido, inclusive seu Presidente, RUI FALCĂO, declararam a qualidade do trabalho desempenhado por VACCARI no comando da Tesouraria do PT; QUE tinha uma relac;:ao de amizade com JOĂO VACCARI NETO; QUE nao se encontrava com JOĂO VACCARI com grande frequencia, as vezes passando meses sem ve-Io; QUE, geralmente, encontrava JOĂO VACCARI em eventos do PT; QUE ao longo de seus oitos anos na Presidencia nao teve qualquer encontro reservado com JOĂO VACCARI NETO; QUE nao cre na afirma9ao de PAULO ROBERTO COSTA de que 2% (dois por cento) do valor dos contratos celebrados na RE N.’ 0008/2015-1 – GINOISTF/DICOR (INQ. N’ 3989 – STF) Diretoria d~ pf”’~ 37022289859 Inq 3989
  4. 4. SERVI<;:O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLICIA FEDERAL DICOR/DPF FIS.2RB_~ Aub. / I ( DIRETORIA DE INVESTIGA<;:ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STF/DICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF Abastecimento da PETROBRAS eram carreados para o Partido dos Trabalhadores por meio de JOĂO VACCARI NETO; QUE atribui tai afirma~ăo aos beneffcios que a Colabora~ăo Premiada da ao delator; QUE năo conhece PEDRO BARUSCO; QUE, de igual forma, năo acredita na afirma~ăo de PEDRO BARUSCO de que um percentual do valor dos contratos celebrados pela Diretoria de Servi~os eram destinados ao Partido dos Trabalhadores por meio de JOĂO VACCARI NETO; QUE atribui as afirma~6es de PEDRO BARUSCO aos beneffcios concedidos pela Colabora~ăo Premiada; QUE năo se recorda a data exata em que conheceu o Empresario RICARDO PESSOA; QUE deve ter conhecido RICARDO PESSOA em alguma inaugura~ăo ou em um dos muitos • eventos com empresarios dos quais participou; QUE somente em 2011 esteve de maneira reservada com RICARDO PESSOA, quando o mesmo foi ao INSTITUTO LULA convidar o Declarante para proferir uma palestra em uma empresa do pr6prio RICARDO PESSOA; QUE năo possufa rela~ăo de amizade com RICARDO PESSOA; QUE a contrata~ăo para a palestra foi feita pela UTC, porem, o Declarante năo se recorda se a palestra foi realizada na sede da UTC; QUE foi contratado para dar palestra para a UTC apenas uma vez; QUE năo cre na afirma~ăo de RICARDO PESSOA de que o mesmo realizou o pagamento de vantagens indevidas para o PT por meio de JOĂO VACCARI NETO; QUE atribui esta afirma~ăo de RICARDO PESSOA ao seu intuito de obter beneficios por meio da Colabora~ăo Premiada; QUE indagado a que atribui a condena~ăo, em primeira instância, de JOĂO VACCARI NETO, o • Declarante afirma que a mesma se deve as Dela~6es Premiadas; QUE a condena~ăo de JOĂO VACCARI NETO năo e definitiva e que acredita que o mesmo sera absolvido; QUE năo acredita que JOĂO VACCARI NETO tenha obtido vantagens indevidas a partir dos contratos celebrados pela PETROBRAS, uma vez que era conhecedor da Legisla~ăo; QUE acredita que as acusa~6es feitas contra JOĂO VACCARI NETO săo, na verdade, resultados dos beneffcios referentes as dela~6es dos diversos Colaboradores da OPERA~ĂO LAVA JATO; QUE desde o infcio da decada de oitenta conhece JOSE DE FILlPPI JUNIOR; QUE năo foi o Declarante quem escolheu JOSE DE FILlPPI para ser o Tesoureiro de sua campanha em 2006; QUE JOSE DE FILlPPI foi escolhido pela Coordena~ăo da Campanha em razăo de ser uma pessoa RE N.’ 0008/2015-1 – GINOISTF/DICOR (INO. N’ 3989 – STF) ; ă 1~”~ 37022289859 Inq 3989
  5. 5. DICOR/DPF SERVIC;O PUBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLfcIA FEDERAL DlRETORIA DE INVESTIGAC;ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF competente, com experiencia politica e preparada para o cargo; QUE o Coordenador de Campanha costuma ser o Presidente do Partido; QUE ate o primeiro turna das Eleic;6es o Presidente do Partido era RICARDO BERZOINI; QUE em seguida o sucedeu MARCO AURELIO GARCIA; QUE nâo orientou ou solicitou a JOSE DE FILlPPI para que procurasse a QUEIROZ GALVĂO ou qualquer outra empresa a fim de obter doac;6es para a sua campanha no ano de 2006; QUE nâo acredita que JOSE DE FILlPPI tenha solicitado de forma nâo oficial a quantia de R$ 2.400.000,00 (dois milh6es e quatrocentos mii reais) ao consorcio encarregado da construc;âo da Plataforma P-53; QUE nâo acredita em tai fato em razâo de que JOSE DE FILlPPI era uma pessoa • experiente e conhecedora da legislac;âo eleitoral, tendo inclusive participado de outras tres campanhas proprias para Prefeito da cidade de Diadema/SP; QUE atribui, novamente, a afirmac;âo de RICARDO PESSOA aos beneficios concedidos pela institute da Colaborac;âo Premiada; QUE conheceu JOSE CARLOS BUMLAI na campanha para as Eleic;6es de 2002; QUE conheceu BUMLAI quando da gravac;âo de um programa eleitoral relacionado il. Agricultura; QUE este programa foi gravado em uma fazenda de BUMLAI, e cujo nome nâo se recorda no momente; QUE possui relac;âo de amizade com JOSE CARLOS BUMLAI; QUE recebeu por algumas vezes JOSE CARLOS BUMLAI em Brasflia/DF; QUE algumas vezes BUMLAI se hospedou na Granja do Torto e outras vezes em hoteis da cidade; QUE nâo sabe precisar quantas vezes BUMLAI se hospedou na Granja do Torto; QUE acha que BUMLAI nunca se • hospedou no Palacio da Alvorada; QUE indicou BUMLAI para integrar o Conselho de Desenvolvimento Economico e Social; QUE o Conselho era formado por mais de 100 (cem) empresarios indicados por diversos segmentos da sociedade; QUE BUMLAI era um dos representantes do Setor Agricola; QUE nâo solicitou a BUMLAI que contrafsse em seu proprio nome emprestimo no interesse do Partido dos Trabalhadores; QUE nâo tratou com BUMLAI sobre eventual emprestimo contrafdo por ele em beneficio do PT; QUE jamais tratou com BUMLAI sobre dinheiro ou valores, o que o Declarante ressalta como algo merecedor de respeito; QUE tomou conhecimento dos boatos sobre a contratac;âo deste emprestimo atraves da imprensa, ha algum tempo; QUE indagado se conhecia alguem do Grupo SCHAHIN, o Declarante afirma que teve contato com o mais ,,,.'”””””‘” G””‘,”,””O’I”Q ,. “”” .mi ; { li~· ‘” w 37022289859 Inq 3989
  6. 6. SERVI<;:O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLfcIA FEDERAL DICOR/DPF Fis. 2888 /1Rub. DIRETORIA DE INVESTIGA<;:ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF velho deles, cujo nome nao se recorda, mas sabe que o sobrenome era SCHAHIN, e este contato se deu em algum evento empresarial no Palacio do Planalto; QUE este membro da familia SCHAHIN participou de algumas reuni6es do Conselho de Desenvolvimento Economico e Social; QUE nunca esteve com o mesmo de maneira reservada; QUE em sendo mostrada uma foto de SALIM SCHAHIN, o Declarante o reconhece como sendo o integrante da familia SCHAHIN com quem esteve nos eventos acima descritos; QUE nao tomou conhecimento da realizacao de emprestimos em beneficia do PT realizados atraves de terceiros; QUE nunca solicitou a DELUBIO SOARES a realizacao de emprestimos em beneficio do PT; QUE nao tomou • conhecimento do processo de escolha pela PETROBRAS da empresa operadora do Navio Sonda VITORIA 10000; QUE nao recebeu de JOSE CARLOS BUMLAI qualquer pedido para que interferisse neste processo de escolha a fim de beneficiar o Grupo SCHAHIN; aUE nao tratou diretamente a respeito da substituicao de NESTOR CERVERO por JORGE ZELADA na Diretoria Intemacional da PETROBRAS; aUE o processo de escolha de JORGE ZELADA seguiu os mesmos trâmites acima descritos para os demais Diretores da Companhia; aUE sabe que JORGE ZELADA era uma reinvindicacao do PMDB; aUE nao tratou com BUMLAI sobre a possivel permanencia de NESTOR CERVERO na Diretoria Internacional; QUE nao recebeu de BUMLAI qualquer pedido para que NESTOR CERVERO fosse mantido na Diretoria Internacional; aUE sua relacao com BUMLAI nao permitia tai pedido; aUE nao tratou • com BUMLAI sobre a indicacao de NESTOR CERVERO para assumir o cargo de Diretor Financeiro da BR DISTRIBUIDORA; aUE nao recebeu qualquer pedido de BUMLAI neste sentido; aUE afirma que BUMLAI nunca pediu qualquer cargo para o Declarante; aUE acha que a indicacao de NESTOR CERVERO para o cargo de Diretor Financeiro da BR DISTRIBUIDORA foi tambem uma solicitacao do PMDB; aUE reitera que a tramitacao de tai nomeacao tambem seguiu os trâmites acima descritos; aUE esteve reunido com JOĂO CARLOS FERRAZ, Presidente da SETE BRASIL, em duas ocasi6es, ja ap6s o termina do seu mandate presidencial; aUE esteve com JOĂO CARLOS FERRAZ para discutir o conteLido nacional dos contratos celebrados pela PETROBRAS; aUE tambem participaram destas reuni6es RE N2 0008/2015·1 . GINQ/STF/DICOR (INQ. N’ 3989· STF) 37022289859 Inq 3989
  7. 7. SERVI<;O PlJBLlCO FEDERAL MJ -DEPARTAMENTO DEPOLlClA FEDERAL DICOR/DPF Fis. 288~ /lRub. ( . DIRETORlA DE INVESTJGA<;ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF Sindicatos da Industria Naval; QUE acha que estas reunioes ocorreram no ano de 2013; QUE năo sabe quem fez a solicitagăo de reuniăo para que recebesse JOĂO CARLOS FERRAZ; QUE as reunioes acima referidas ocorreram no INSTITUTO LULA; QUE năo se recorda de JOSE CARLOS BUMLAI pedir para o Declarante uma reuniăo com JOSE CARLOS FERRAZ; QUE năo era do seu conhecimento que a OSX pretendia celebrar contratos de construgăo de navios com a SETE BRASIL; QUE o que o Declarante sabe e que a SETE BRASIL foi feita para construir navios sondas; QUE indagado se alguma vez tratou com BUMLAI a respeito dos contratos da SETE BRASIL, o Declarante afirma que năo havia razăo para isto, uma vez que pelo que tinha conhecimento BUMLAI era • proprietario de usinas de alcool e de cabegas de gado; QUE e pai de MARCOS CLAUDIO LULA DA SILVA, casado com CARLA; FABIO LUIS LULA DA SILVA, casado com RENATA; SANDRO LUIS LULA DA SILVA, casado com MARLENE; LUIS CLAUDIO LULA DA SILVA, casado com FATIMA; e LURIAN CORDEIRO LULA DA SILVA, separada; QUE năo declina os nomes completos das noras em razăo de năo recorda-Ios no momente; QUE acha que todos os seus filhos e noras possuem relagăo de amizade com BUMLAI; QUE nenhuma de suas noras ou mesmo qualquer um de seus filhos, a qualquer tftulo, pediu valores a BUMLAI; QUE nunca realizou qualquer transagăo financeira com BUMLAI, quer seja por via bancaria ou em especie; QUE indagado a que atribui a existencia de pessoas de seu governo investigadas em inqueritos em tramitagăo no Supremo Tribunal Federal, nos eventos relacionados il. • OPERAQĂO LAVA JATO, o Declarante afirma que isto se deve basicamente a tres fatores: a) ao processo de transparencia e aprimoramento dos 6rgăos de fiscalizagăo e controle, especialmente a Policia Federal, o Ministerio Publico Federal e a Controladoria-Geral da Uniăo, ocorridos ao longo dos ultimos doze anos; b) il. imprensa livre; e c) a um processo de criminalizagăo do Partido dos Trabalhadores; QUE, alem disto, năo existe ate o momente qualquer conclusăo final destes apurat6rios; QUE indagado se tinha conhecimento dos eventos de corrupgăo ocorridos na PETROBRAS e desvelados pela OPERAQĂO LAVA JATO, o Declarante afirma que năo tinha conhecimento dos mesmos; QUE afirma que estes fatos năo eram tambem do conhecimento dos 6rgăos de fiscalizagăo e controle, bem como da pr6pria imprensfixo “,.”00″””,,'” .G””,,”m’OOA ”’Q.’.’~.”’1 ~ f}sA.. …”C~ 37022289859 Inq 3989
  8. 8. SERVI<;:O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLÎCIA FEDERAL DICOR/DPF F’S2890 Rub. /.l ( DIRETORIA DE INVESTIGA<;:ĂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STFIDICOR – GRUPO DE INQUERITOS DO STF QUE nao cre que os principais Partidos da base aliada do Governo tenham, atraves de suas principais Lideran<;:as, obtido vantagens indevidas a partir dos contratos das diversas Diretorias da PETROBRAS; QUE e socio da LlLS; QUE a LlLS e a pessoa juridica que Iaz a gestao das palestras realizadas pela Declarante; QUE suas palestras tem como tema principal apresentar o Brasil, em razao de sua vivencia politica; QUE suas palestras possuem um valor lixo, independente do contratante; QUE os valores sao pagos por via bancaria diretarnente para a LlLS; QUE no ano de 2014 realizou cerca de 10 (dez) palestras, talvez uma ou duas Iora do Brasil; QUE nao se recorda em que pais Ioram realizadas essas palestras do ano de 2014; QUE no ano de 2015 • realizou cerca de 03 (tres) palestras; QUE desde o ano de 2011 ja realizou mais de 70 palestras no Brasil e no exterior; QUE o Declarante afirma que nao participa de sociedades, nao possui bens e nao movimenta valores por meio de tereeiros. Nada mais disse e nem Ihe foi perguntado. Foi entao advertido(a) da obrigatoriedade de comunica<;:ao de eventuais mudan<;:as de endere<;:o em face das prescrigoes do Art. 224 do CPP. Encerrado o presente que, lido e achado conforme, assinam com a Autoridade Policial, com ora) Declarante, na presen<;:a de seu(sua. s) Advogado(a, s) CRISTIANO ZANIN MARTINS, inscrito(a) na OAB/SP sob n. o 172730 e LUIZ CARLOS SIGMARINGA SEIXAS, inscrito(a) na OAB/DF sob o n. o 814, comercial (11) 3060-3324 e (61) 3224- 1166, respectivamente, e comigo, OEZER SOUSA BARROSO, Escrivao de Policia Federal, 1~ Classe, MatriculatDPF n.Q 14.368, lotado(a) e em exercfcio nO(a) Diretoria de • Investiga<;:ao e Combate ao Crime Organizado – DICOR/DPF, que o lavrei. AUTORIDADE POLICIAL :……………… DECLARANTE ··························~······::-:-:-:-:·····I···~~~ LUIZ INA I RE N.’ 0008/2015·1 . GINQ/STF/DICOR (INQ. NQ 3989· STF) 37022289859 Inq 3989
  9. 9. • • SERVI<;:O PlJBLICO FEDERAL MJ – DEPARTAMENTO DE POLICIA FEDERAL DICORIDPF’ Fis. 2891 Rub. -1 . DIRETORIA DE INVESTIGA<;:ÂO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GINQ/STF/DICOR – GRUP DE INQUERITOS DO STF ADVOGADOIA) RISTIA O ZANIN M TlNS, OABISP 172730 ADVOGADO(A) , r,N~bLUIZ CARLOS SIGMARINGASEIXAS, OAB/OF n.’ 814 ESCRIVÂ01Â) RE N” 0008/2015-1 – GINOISTFIDICOR (INO. N.o 3989 – STF) ( fis. 919 37022289859 Inq 3989

Depoimento Lula 2016 Policia Federal

  1. 1. Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 13ª Vara Federal de Curitiba Av. Anita Garibaldi, 888, 2º andar ­ Bairro: Ahu ­ CEP: 80540­400 ­ Fone: (41)3210­1681 ­ www.jfpr.jus.br ­ Email: prctb13dir@jfpr.jus.br PEDIDO DE BUSCA E APREENSÃO CRIMINAL Nº 5006617­29.2016.4.04.7000/PR REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL REQUERENTE: PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ­ PETROBRÁS ACUSADO: ZAPT COMERCIO E SERVICOS LTDA ­ ME ACUSADO: SAO FERNANDO ACUCAR E ALCOOL LTDA ACUSADO: SANDRO LUIS LULA DA SILVA ACUSADO: PAULO TARCISO OKAMOTTO ACUSADO: PAULO ROBERTO VALENTE GORDILHO ACUSADO: PAULO MARCELINO MELLO COELHO ACUSADO: PAULO CANGUSSU ANDRE ACUSADO: P J A EMPREENDIMENTOS LTDA ACUSADO: OKA2 CONSULTORIA EM GESTAO EMPRESARIAL LTDA ­ ME ACUSADO: OAS EMPREENDIMENTOS S.A. ­ EM RECUPERACAO JUDICIAL ACUSADO: NIPPO SISTEMA REPRESENTACAO E LANCAMENTO LTDA ­ ME ACUSADO: NEMALA ASSESSORIA EM PLANEJAMENTO ESTRATEGICO E PROJETOS ­ EIRELI ­ ME ACUSADO: MARTA CRISTINA DE ARAUJO ACUSADO: MARLENE ARAUJO LULA DA SILVA ACUSADO: MARISA LETICIA LULA DA SILVA ACUSADO: MARCOS CLAUDIO LULA DA SILVA ACUSADO: M7 PRODUCOES E COMERCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA ­ ME ACUSADO: LUIZ GUSTAVO LIBORIO VIANNA ACUSADO: LUIZ ANTONIO PAZINE ACUSADO: LLF PARTICIPACOES ­ EIRELI ­ EPP ACUSADO: L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICACOES LTDA. ACUSADO: JOSE DE FILIPPI JUNIOR ACUSADO: JOSE ADELMARIO PINHEIRO FILHO ACUSADO: JONAS LEITE SUASSUNA FILHO ACUSADO: JOAO HENRIQUE WORN ACUSADO: INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA ACUSADO: INSTITUTO DIADEMA DE ESTUDOS MUNICIPAIS ACUSADO: IMOBILIARIA ZARPAR LTDA ­ ME ACUSADO: IMOBILIARIA GOL LTDA ACUSADO: GUADELUPPE COMERCIO DE ROUPAS E ACESSORIOS LTDA ­ ME
  2. 2.ACUSADO: GOL MOBILE PRODUTOS E SERVICOS DE TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ACUSADO: GOL MIDIA PARTICIPACOES LTDA ACUSADO: GOL GREEN PROJETOS AMBIENTAIS E ENERGETICOS LTDA ­ ME ACUSADO: GOAL GAMES LTDA ­ ME ACUSADO: GOAL DISCOS LTDA ­ ME ACUSADO: GISAN COMERCIO DE ROUPAS E ACESSORIOS LTDA ­ ME ACUSADO: GAMECORP S.A. ACUSADO: G4 ENTRETENIMENTO E TECNOLOGIA DIGITAL LTDA. ACUSADO: FREDERICO MARCOS DE ALMEIDA HORTA BARBOSA ACUSADO: FLEXBR TECNOLOGIA LTDA. ACUSADO: FFK PARTICIPACOES LTDA ACUSADO: FERNANDO BITTAR ACUSADO: FERNANDO BITTAR ACUSADO: FABIO LUIS LULA DA SILVA ACUSADO: ELCIO PEREIRA VIEIRA ACUSADO: EDIVALDO PEREIRA VIEIRA ACUSADO: EDITORA GOL LTDA ACUSADO: COSKIN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. ACUSADO: CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S A ACUSADO: CLARA LEVIN ANT ACUSADO: BR4 PARTICIPACOES LTDA ACUSADO: BANCOBANCA CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. ­ ME ACUSADO: ALEXANDRE ANTÔNIO DA SILVA ACUSADO: AFC 3 ENGENHARIA LTDA. ACUSADO: LUIZ INACIO LULA DA SILVA ACUSADO: TOUCHDOWN PROMOCAO DE EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. ACUSADO: LFT MARKETING ESPORTIVO LTDA TERMO   DE TRANSCRIÇÃO                                       Em  14  de  março  de  2016,  procedo  à  transcrição  das  declarações colhidas ns autos nº 5006617­26.2016.404.7000, oitiva realizada em 04/03/2016, às 08:00 horas, no Aeroporto de Congonhas, São Paulo/SP. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 1 Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  endereço  do  escritório  do  doutor Roberto? Defesa:­ Como? Delegado da Polícia Federal:­ Endereço do escritório do doutor?
  3. 3. Defesa:­ Rua Padre João Manoel, 755, 19º andar. Delegado da Polícia Federal:­ 755? Defesa:­ 755. Delegado  da  Polícia  Federal:­  19º.  O  telefone  do  escritório  para contato se quiser? Defesa:­ 3060.3324. Delegado  da  Polícia  Federal:­  11  3060­3324,  perfeito.  A  doutora Valeska vai participar também ou não? Defesa:­ Não, vai ficar fora. Delegado da Polícia Federal:­ Ok. Defesa:­ Quem? Defesa:­ A Valeska. Só nós dois. Eu posso gravar o depoimento? Declarante:­ Cadê a minha? Delegado da Polícia Federal:­ Pode. Defesa:­ Vê se a Valeska quer entrar. Declarante:­ Cris, vê se o Morais tem um lencinho de papel para mim. Não identificado:­ Morais, você tem um lenço de papel? LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 2 Delegado  da  Polícia  Federal:­  Podemos  começar,  então,  senhor Presidente? Declarante:­ Estou pronto. Delegado da Polícia Federal:­ Bom, nós vamos dar início agora ao seu termo de declarações gravado em áudio e vídeo, a qualquer momento ele vai estar à disposição do senhor, da sua defesa, um DVD com o áudio desta audiência, do qual nós  só  vamos  fazer  um  termo  constando  que  as  perguntas  e  as  respostas  foram gravadas  em  áudio  e  vídeo  e  à  disposição  dos  senhores.  Então  hoje,  no  dia  4  de março, às 8 horas da manhã, estando presente o senhor Luiz Inácio Lula da Silva com seus advogados, identificados no termo de declarações, eu, Luciano Flores de Lima, Delegado de Polícia Federal, acompanhado do Delegado da Polícia Federal Ricardo Hiroshi,  dos  agentes  Prado  e  Gabriel,  acompanhado  dos  senhores  Procuradores  da República,  doutor  Orlando  e  doutor  Julio,  damos  início  ao  termo  de  declaração passando  a  fazer  as  seguintes  perguntas:  qual  era  a  sua  vinculação  com  o  IPEC, Instituto de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para
  4. 4. Instituto Inácio Lula da Silva? Antes, desculpe, me desculpe, antes eu só gostaria de deixar registrado que, como o senhor está na condição de investigado, o senhor não é obrigado  a  responder  as  perguntas  que  eu  vou  lhe  fazer,  o  senhor  só  responde  se quiser e o seu silêncio não vai lhe prejudicar por conta apenas do silêncio, está bem? Por  gentileza,  a  pergunta,  qual  era  a  sua  vinculação  com  o  IPEC,  Instituto  de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para Instituto Inácio Lula da Silva? Declarante:­ O instituto é de 1992, eu era o presidente do instituto até virar  Presidente  da  República,  acho  que  até  1  ano  antes  eu  saí  da  presidência  do instituto, e chamava­se Instituto da Cidadania, no instituto a gente produzia projetos, o  projeto  “Fome  Zero”  foi  produzido  no  instituto,  o  projeto  “Minha  Casa  Minha Vida”  foi  produzido  no  instituto,  nós  produzimos  propostas  de  segurança  pública, propostas  para  a  juventude,  proposta  de  educação,  lá  eu  criei  uma  coisa  chamada “Governo Paralelo”, logo depois que eu perdi as eleições para o Collor, e quando eu deixei a presidência eu decidi voltar para lá porque era o lugar que (inaudível). Delegado da Polícia Federal:­ Qual a atividade exercida pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva? Declarante:­  Qual  a  atividade  exercida  pelo  instituto  agora?  A atividade minha, a primeira, é difundir as políticas públicas bem sucedidas no meu mandato,  que  foram  muitas,  a  ideia  era  você  trabalhar  muito  com  o  continente africano,  muito  com  o  continente  latino­americano,  sobretudo  para  você  levar  as experiências na área de educação, na área do Bolsa Família, na área do PAA que é a compra  de  alimento,  na  área  do  programa  Luz  Para  Todos,  ou  seja,  a  ideia fundamental era convencer os governantes dos países mais pobres que o Brasil que era possível a gente resolver os problemas dos pobres se a gente colocasse os pobres no  orçamento  da  União,  que  você  tem  no  orçamento  da  União  o  Ministério  da Justiça,  Polícia  Federal,  Ministério  Público,  Poder  Judiciário,  e  você  não  tem  os pobres, então na hora que você coloca o pobre dentro do orçamento você começa a fazer a economia andar, foi isso que nós fizemos, e o instituto serve para divulgar isso,  andar  pelo  mundo  mostrando  exatamente  o  que  a  gente  conseguiu  fazer  no Brasil, porque a grande novidade no mundo é as pessoas saberem como é que nós conseguimos  elevar  40  milhões  de  pessoas  à  classe  média  e  como  é  que  nós conseguimos  tirar  36  milhões  de  pessoas  da  pobreza  absoluta,  esse  é  o  grande segredo do mundo. Delegado da Polícia Federal:­ Quando o senhor tirou 36 milhões de pessoas da pobreza absoluta, qual era a população do Brasil? Declarante:­ Era 200 milhões de habitantes. Delegado da Polícia Federal:­ Então mais de 15%… Declarante:­ Ou 198, 199, uma coisa assim, a população de 10 anos atrás, era 200 milhões de habitantes. Delegado da Polícia Federal:­ Então o senhor afirma que mais de 15% vivia na pobreza absoluta?
  5. 5. Declarante:­  Era  aproximadamente  15%,  era  aproximadamente  54 milhões de pessoas. Delegado da Polícia Federal:­ Na pobreza absoluta? Declarante:­  Aí  quando  nós  tivemos  o  estudo  em  2003,  dados  do IBGE, nós tínhamos por volta de 54 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza no Brasil. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Então,  mais  de  1/4o  da  população brasileira nessa época… Declarante:­ Eram pessoas que viviam na pobreza, ganhavam menos que, eu não sei se eram 2 dólares por dia, 1 dólar por dia, e nós conseguimos fazer essa  revolução  fazendo  com  que  chegasse  um  pouquinho  de  dinheiro  na  mão  do pobre desse país. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. E para que o senhor fizesse isso, o  seu  instituto  atingir  esses  objetivos,  o  senhor  conta  com  que  fonte  de  renda  no instituto? Declarante:­ Doações, sim. Delegado da Polícia Federal:­ Doações sem contrapartida? Declarante:­ Sem contrapartida. Delegado da Polícia Federal:­ E a despesa, qual é a saída de… Declarante:­ Aí não sei, querido. Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, eu não pergunto números, o senhor autoriza que seja gasto… Declarante:­ Eu não autorizo porque eu não, no instituto hoje eu sou só presidente de honra e você sabe que se um dia você for presidente de honra da Polícia Federal aqui você não representa mais nada, ou seja, então o presidente de honra é um cargo de honra só, eu não participo das reuniões da diretoria, eu não participo das decisões, porque o instituto tem uma diretoria própria. Delegado da Polícia Federal:­ Nos últimos 10 anos quem decide pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva? Declarante:­ Nós últimos dez anos o instituto ficou, ficou, o instituto começou  a  funcionar  mais  fortemente  agora  quando  eu  deixei  a  presidência,  ele funcionava  muito  antes  de  eu  deixar  a  presidência,  antes  de  eu  ser  presidente,  no tempo que eu fui presidente ele ficou morno, o último projeto nosso acho que foi o Projeto da Juventude, e voltou agora à atividade, quando eu deixei a presidência.
  6. 6. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E,  quando  o  senhor  deixou  a presidência, quem dirigia no sentido de autorizar despesas, investimentos feitos pelo instituto? Declarante:­ Não, quem é o presidente do instituto é o companheiro Paulo Okamotto. Delegado da Polícia Federal:­ Desde quando? Declarante:­ Desde agora, desde que eu deixei a presidência. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  E  é  ele  quem  autoriza  tanto  a receber doações, quanto a efetuar pagamentos e investimentos? Declarante:­ Ele e a diretoria. Delegado da Polícia Federal:­ Quem faz parte da diretoria? Declarante:­ Da diretoria faz parte a companheira Clara Ant, faz parte do  ex­ministro  Luiz  Dulci,  faz  parte  o  ex­ministro  Paulo  Vanuchi,  faz  parte  o companheiro Celso Marcondes que é jornalista, esses são os diretores do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ E eles fazem votação ou o que o senhor Paulo Okamotto decidir está decidido? Declarante:­ Não, todos decidem, discutem, aí não, não, não pergunte para  mim  que,  que,  eles  discutem  como  qualquer  diretoria  discute  qualquer  coisa, aprovam, desaprovam, decidem o que vai executar, o que não vai executar. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  O  senhor  tem  algum conhecimento se eles podem efetuar pagamentos a qualquer título, por exemplo, se resolverem fazer curso para quem trabalha no instituto em um determinado país, para pagar as despesas, ou se é possível reformar um imóvel com um dinheiro recebido de doações do Instituto Lula? Declarante:­ Eu penso, eu não sei no instituto especificamente, mas eu tenho consciência que eles devem fazer o que manda a lei que regula as fundações e os institutos. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  Qual  a  função  que  o  senhor exercia na condição de presidente de honra do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva? Declarante:­ Eu era, na verdade eu era a fotografia do instituto, eu era a cara do instituto, era não, eu sou a cara do instituto, o instituto está ali por minha causa, o do Clinton só existe por conta dele, o do Kofi Annan só existe por conta dele,  qualquer  instituto  só  existe  em  função  da  cara  da  pessoa  que  dá  o  nome,  o Instituto Mandella existe por causa do Mandella, então o instituto vai existir, eu não sei se vai persistir quando eu morrer, mas enquanto eu existir está lá o instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  o  senhor  participa  de  eventuais reuniões da diretoria para ajudar na decisão de…?
  7. 7. Declarante:­  Algumas,  algumas,  eu  não  gosto  de  participar  das decisões. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  Com  que  frequência  o  senhor tem participado nos últimos 5 anos? Declarante:­  É  raro,  é  raro,  porque  eu  não  gosto  de  participar  da reunião de diretoria. Delegado da Polícia Federal:­ Por que? Declarante:­ Porque eu trabalho com a ideia que os diretores têm que ter muita autonomia com relação a mim. Como eu sou uma figura muito forte, se eu participo das reuniões, ou seja, dá a pressão que o que eu falar vira lei, então eu não participo  que  é  para  eles  tomarem  as  decisões  que  entenderem  corretas  para  o instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Na  qualidade  de  presidente,  Paulo Okamotto exercia que tipo de função, que tipo de atividade? Declarante:­  Coordenava  o  instituto,  coordena  as  atividades  do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Quantas sedes têm o instituto, quantas sedes, ele existe em quantos lugares? Declarante:­ Só em São Paulo, só naquele lugarzinho ali. Delegado da Polícia Federal:­ No lugarzinho, o senhor se refere à sede identificada como instituto? Declarante:­ Identificada. E a casa é alugada, encostada. Delegado da Polícia Federal:­ Junto, né. O Instituto Lula é locatário de um imóvel situado na Rua Domício Afonso da Gama, nº 57, na Vila Damásio, São Bernardo do Campo, ele usa essa sede, ele aluga de alguém essa sede? Declarante:­ Primeiro, eu não sei onde fica a Rua Damásio. Delegado da Polícia Federal:­ Mas em São Bernardo do Campo existe alguma sede do Instituto Lula? Declarante:­ Acho que não. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor não saberia? Declarante:­ Eu acho que não existe não, pelo que eu sei não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  por  que  pode  existir  sem  o  seu conhecimento ou existiria sem seu conhecimento?
  8. 8. Declarante:­  Não,  não  deve  existir.  Eu  estou  estranhando  a  sua pergunta porque eu não sei se existe. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  no  bairro  Pinheiros,  no  bairro Pinheiros, ao lado de um batalhão da polícia militar? Declarante:­ O bairro Pinheiros não é onde, não é… Delegado da Polícia Federal:­ Desculpe, é Ipiranga. Declarante:­ Pois é, mas é lá mesmo que nós temos. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Lá  existe  uma  sede  que  o  senhor  se referiu, identificada… Declarante:­ Existe uma casa alugada perto do batalhão. Delegado da Polícia Federal:­ Do lado do batalhão, né? Declarante:­ Do lado do batalhão. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Exatamente.  O  que  funciona  naquela sede? Declarante:­  Funciona  uma  parte  da  sede  porque  o  instituto  lá  é pequeno. Delegado da Polícia Federal:­ E por que lá não é identificado como Instituto Lula, essa sede ao lado do batalhão, lá não existe placa que indicam que é o Instituto Lula? Declarante:­ Mas nem no instituto existe placa. Delegado da Polícia Federal:­ Ok, não tem também identificação, tá certo. Lá existe um local, o senhor saberia dizer o que exatamente tem nessa sede? Declarante:­ Lá funciona a assessoria de imprensa, lá funciona o blog do instituto, lá funciona a presidência do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. O senhor conhece Jair Francisco Sapurani? Declarante:­ Deve ser o proprietário que alugou a casa. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor tem alguma relação com ele? Declarante:­  Não.  Quando  eu  era  presidente,  eu  lembro  que  ele  era assistente (inaudível), mas não tenho relação de amizade com ele. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor disse que nessa sede, ao lado da polícia militar, funciona a diretoria, assessoria de imprensa.
  9. 9. Declarante:­ Funciona a presidência. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  E  na  outra  sede,  a  mais conhecida, o que funciona lá? Declarante:­ Vou pegar um café aqui, deixa eu pegar um café. Delegado da Polícia Federal:­ Isso. Se o senhor quiser, vamos ajudar, vamos colocar o cafezinho aqui mais perto da gente, para a gente também poder se servir. Declarante:­ Qual era a pergunta? Delegado da Polícia Federal:­ O senhor descreveu quais são os setores do  Instituto  Lula  que  funcionam  naquela  sede  ao  lado  da  polícia  militar,  e  aquela outra sede, a mais conhecida, quais são os setores do Instituto Lula que funcionam lá? Declarante:­ Lá tem a minha sala, tem a Clara Ant que é diretora que funciona lá, tem o Luiz Dulci que é o ex­ministro que funciona lá, tem o ministro Paulo Vanuchi que funciona lá e tem os funcionários que trabalham. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Como é que são feitas, como é que são colhidas as doações por empresas para o Instituto Lula? Declarante:­ Como qualquer outra empresa ou qualquer outro instituto, ou você recolhe fazendo o projeto ou você recolhe pedindo dinheiro. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Quem  tem  essa  função  de  pedir dinheiro em nome do instituto? Declarante:­ A direção do instituto, isso é feito em qualquer instituto, isso vale… Delegado da Polícia Federal:­ Alguma pessoa em específico? Declarante:­ Isso vale, não, deve ser o tesoureiro e o diretor financeiro do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Quem são? Declarante:­ Hoje eu acho que é o Celso Marcondes, mas isso funciona como qualquer instituto, do Fernando Henrique Cardoso, do Sarney, do Bill Gates, do Bill Clinton, do Kofi Annan. Delegado da Polícia Federal:­ Há 5 anos atrás, quem tinha essa função de pedir doações a empresas em nome do Instituto Lula? Declarante:­ Sempre o diretor financeiro. Delegado da Polícia Federal:­ Cinco?
  10. 10. Declarante:­ Sempre o diretor financeiro. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Quem  foram  os  diretores  financeiros nos últimos 8 anos? Declarante:­  Nos  últimos  8  anos,  não  tinha  diretor  financeiro  nos últimos 8 anos. Delegado da Polícia Federal:­ Desde que começou a ter o diretor… Declarante:­ Nós tivemos, tivemos acho que a companheira Clara Ant por um período e depois o Celso. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Em que período seria a senhora Clara Ant, em que período ela… Declarante:­ Eu acho que depois que nós voltamos. Delegado da Polícia Federal:­ Nós voltamos? Declarante:­ Da presidência. Delegado da Polícia Federal:­ Em 2011, janeiro de 2011? Declarante:­ em 2011. Delegado da Polícia Federal:­ Ela começou a exercer essa atividade de diretoria financeira? Declarante:­  Eu  não  sei  se  ela  começou  a  exercer,  aí  eu  não  tenho certeza, pode perguntar pAra ela. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Ela  era  sua  assessora  no  palácio  do planalto? Declarante:­ Ela era deputada estadual, ela era dirigente do PT, ela foi dirigente e fundadora da CUT e ela era a pessoa que trabalhava as informações do governo na presidência da república. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  O  senhor  lembra  qual  era  o salário dela quando ela passou a trabalhar no instituto? Declarante:­ Não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Do  diretor  financeiro  em  geral  do instituto? Declarante:­  Não,  é  tudo  igual,  não  tem  acho  que  de  diferença naquele… Delegado da Polícia Federal:­ Em torno de quanto mais ou menos?
  11. 11. Declarante:­ Não sei. Delegado  da  Polícia  Federal:­  É  comum  as  empresas  procurarem espontaneamente o Instituto Lula para oferecer doações? Declarante:­  Não.  Aliás,  eu  não  conheço  ninguém  que  procura ninguém espontaneamente para dar dinheiro, nem o dízimo da igreja é espontâneo, se o padre ou o pastor não pedir, meu caro, o cristão vai embora, vira as costas e não dá o dinheiro, então dinheiro você tem que pedir, você tem que convencer as pessoas do projeto que você vai fazer, das coisas que você vai fazer. Lamentavelmente, no Brasil ainda  não  é  uma  coisa  normal,  mas  no  mundo  desenvolvido  isso  já  é  uma  coisa normal,  ou  seja,  não  é  nem  vergonha,  nem  crime,  alguém  dar  dinheiro  para  uma fundação,  aqui  no  Brasil  a  mediocridade  ainda  transforma  tudo  em  coisas equivocadas. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  chegou  a  procurar  alguma empresa para pedir dinheiro para esses projetos no Instituto Lula? Declarante:­ Não, porque não faz parte da minha vida política, ou seja, eu desde que estava no sindicato eu tomei uma decisão: eu não posso pedir nada a ninguém porque eu ficaria vulnerável diante das pessoas. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  nunca  pediu  dinheiro  em nome do instituto? Declarante:­ Não, e pretendo não pedir nos últimos anos que eu tenho de vida. Delegado da Polícia Federal:­ Era só o diretor financeiro que pedia ou mais alguém fazia esse tipo de pedido? Declarante:­ Deve ter mais gente que pedia, aí teria que perguntar para quem conhece. Delegado da Polícia Federal:­ Para quem o conhece? Declarante:­ Deveria perguntar para quem conhece. Delegado da Polícia Federal:­ Que seriam os diretores financeiros? Declarante:­ O Paulo Okamotto, pode perguntar para o Paulo quem é que pedia. Delegado da Polícia Federal:­ Qual era a função do Paulo? Declarante:­ O Paulo é o presidente do instituto, o Paulo coordena o instituto, coordena as reuniões, o Paulo coordena as decisões do instituto, o papel de presidente. Delegado da Polícia Federal:­ Também pede dinheiro para o instituto?
  12. 12. Declarante:­ Eu acho que pode pedir, não sei se pede, mas eu acho que pode pedir. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor não lembra, porque o fluxo financeiro do instituto é grande, então eventualmente pode… Declarante:­ Ele é menos do que eu precisava. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  sem  entrar  nesse  mérito,  mas eventualmente uma doação grande ela deve ser comemorada… Declarante:­ Não havia comemoração. Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, não, no sentido de que uma empresa, num instituto que tenha uma determinada finalidade, eu acredito que uma doação grande inserida é chegada com bons olhos, ou seja, essa notícia é transmitida, eu  falei  isso  para  lhe  perguntar,  o  senhor  lembra  do  senhor  Paulo  Okamotto comemorando, dando uma boa notícia para a diretoria de que eventualmente tenha recebido uma quantia suficiente para um determinado projeto? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Não? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Tem um valor mínimo de doação, tem alguma definição? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ É dado recibo? Declarante:­ É, porque tudo tem que ser legalizado, se a pessoa dá o dinheiro eu acho que a pessoa quer comprovação que doou. Delegado da Polícia Federal:­ E é por transferência ou em reais? Declarante:­ Não sei, não sei. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Qual  era  o  montante  médio  anual  de recurso auferido? Declarante:­  Ah,  não  sei,  não  pergunte  para  mim  essas  coisas financeiras porque eu não cuido disso. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Não teria nem ideia de quanto… Declarante:­ Nem no instituto e nem em casa eu cuido disso, em casa tem  uma  mulher  chamada  dona  Marisa  que  cuida  e  no  instituto  tem  pessoas  que cuidam.
  13. 13. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor não faz nem ideia? Declarante:­ Não faço ideia. Delegado da Polícia Federal:­ De quanto entra em dinheiro? Declarante:­ E faço questão de não fazer ideia. Delegado da Polícia Federal:­ Como são destinadas e aplicadas essas doações? Declarante: Não sei. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Quem  decide  o  senhor  falou  sobre quem aplica e tal, então seria a diretoria? Declarante:­ A diretoria. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor recebe uma remuneração pelo instituto? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Existe algum museu sendo construído, reformado? Declarante:­ Teria se o Ministério Público tivesse deixado, porque nós entramos com o pedido, o Kassab nos deu um terreno ali próximo à região da Estação da Luz, onde está fazendo… Aquela região do crack lá, a cracolândia, o Kassab nos deu  o  terreno  que  a  gente  queria  fazer  o  Memorial  da  Democracia,  o  Ministério Público de São Paulo entrou com um processo e está suspenso até agora, então não tem; eu pensei em levar para a universidade, mas aí resolvi deixar lá. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  foi  enviado  algum  recurso  para  a África para eventualmente ajudar na miséria ou fome, alguma coisa assim? Declarante:­ Não, não. Delegado da Polícia Federal:­ Aqui no Brasil foi… Declarante:­ Que eu saiba não. Delegado da Polícia Federal:­ E aqui no Brasil? Declarante:­ Deixa eu lhe falar, o instituto não é uma ONG, o instituto não é, eu tomei uma decisão que o instituto não seria uma ONG, nós não vamos fazer um instituto que “Ah, mandar 10 milhões para cuidar não sei do que, não sei aonde”, não,  não  é  esse  o  papel  do  instituto,  o  papel  do  instituto  é  tentar  mostrar  para  as pessoas que é possível pescar, o papel do instituto é ensinar as pessoas a pescar os mesmos  peixes  que  nós  pegamos  no  Brasil,  mostrar  que  é  possível  um  país  se desenvolver, evoluir, gerar emprego, gerar renda, melhorar a vida de todo mundo,
  14. 14. melhorou a vida da Polícia Federal pra cacete no meu governo, melhorou a vida dos catadores  de  papel  pra  cacete,  melhorou  a  vida  do  pequeno  produtor  rural  como nunca melhorou nesse país, então o que nós fazemos é mostrar o que acontece, o que é possível fazer num país, esse é o papel do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Declarante:­  E  o  meu  papel  pessoal,  porque  eu  faria  isso independentemente de instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Mudando  um  pouquinho  de  assunto agora, o senhor conhece a empresa G4 Entretenimento e Tecnologia Digital? Declarante:­ Eu não conheço, mas eu sei que acho que é do, o meu filho acho que era sócio dela, G4. Delegado da Polícia Federal:­ Qual filho? Declarante:­ O Fábio. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  sabe  quais  as  atividades exercidas por ela? Declarante:­  Não  sei.  Esse  negócio  de  game,  não  me  pergunte  nada que eu sou analfabeto. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor saberia dizer, ele já comentou com  o  senhor  quantos  empregados,  ele  dá  emprego  para  quanta  gente  lá,  quantas famílias sobrevivem dela, não sabe dizer? Declarante:­ Não, cada um cuida do seu nesse país. Delegado da Polícia Federal:­ Mas, assim, mais de 5, mais de 20? Declarante:­ Eu não sei, querido, não tenho a menor noção. Delegado da Polícia Federal:­ E o senhor sabe onde ela se situa? Declarante:­ Não. Aliás, eu nunca fui. Delegado da Polícia Federal:­ Além do seu filho Fábio, seria um dos sócios dela, quem seriam os outros sócios? Declarante:­ Não sei, querido. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  ela  já  recebeu  valores  do  Instituto Lula? Declarante:­  Se  prestou  serviços,  não  recebeu  benefícios,  recebeu pagamentos, eu não sei se prestou serviços, mas se prestou serviços recebeu, todo mundo que presta serviços para o instituto recebe.
  15. 15. Delegado da Polícia Federal:­ E o senhor sabe se ela prestou algum serviço? Declarante:­ Não sei, não sei. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor conhece a empresa Flex BR Tecnologia Ltda.? Declarante:­ Essa eu faço questão que você conheça. Delegado da Polícia Federal:­ Eu não conheço. Declarante:­  Eu  não  conheço,  quero  que  você  conheça,  eu  não conheço, quero que você vá conhecer. Delegado da Polícia Federal:­ Por quê? Declarante:­  Porque  é  uma  peça  de  ficção,  eu  não  conheço,  não  sei onde fica, eu sei que vocês estão investigando ela porque eu vi no relatório, Deus queira que vá muita gente da Polícia Federal lá para ver, e ver o que ela já produziu na vida. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  acha  que  é  positivo  ou negativo o que ela produz? Declarante:­ Não, deixa vocês investigarem que é melhor. Eu só espero que depois que investigarem me deem um atestado de estar dizendo a verdade sobre cada coisa, só isso. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor afirma que nunca ouviu falar nessa empresa? Declarante:­ Se eu não ouvi falar? Se eu não tivesse ouvido falar eu teria ouvido aqui na petição que me mandaram aqui, porque tem escrito nela. Delegado da Polícia Federal:­ Não, mas assim, antes de ter… Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Não, nunca, não tem conhecimento, ok. Obviamente, então, o senhor saberia falar alguma coisa entre ela e o Instituto Lula, alguma relação entre elas? Declarante:­ Não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Em  relação  a  Camargo  Correa, Construtora Camargo Correa, que relação ela pode ter com o Instituto Lula? Declarante:­ Nenhuma.
  16. 16. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor tem conhecimento se ela fez doações ao Instituto Lula? Declarante:­ Até saiu na imprensa que ela fez. Delegado da Polícia Federal:­ E o senhor sabe dizer quem pediu as doações para ela? Declarante:­ Eu vou repetir, deve ter sido ou o tesoureiro do instituto ou algum diretor do instituto, ela deu para o instituto acho que a metade do que ela deu  para  o  Fernando  Henrique  Cardoso,  metade,  deveria  ter  dado  mais,  mas  deu menos. Delegado da Polícia Federal:­ E quem é o tesoureiro do instituto? Declarante:­ Olha, eu vou repetir aqui, ou é o Celso Marcondes ou é a Clara Ant, se não for nenhum dos dois é o presidente do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Ok. Declarante:­ Se não for o presidente do instituto… Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  Paulo  Okamotto  então  pode  ser tesoureiro também, ele pode exercer a função de tesoureiro também? Declarante:­ Quem? Delegado da Polícia Federal:­ O Paulo Okamotto. Declarante:­ É que o presidente é a maior autoridade do instituto, é a maior autoridade do instituto, então mesmo coisas que a tesouraria faça muitas vezes têm que passar por ele, é assim até no Corinthians. Delegado da Polícia Federal:­ Então é possível, por exemplo, que o próprio Paulo Okamotto ou a Clara Ant tenham pedido doações a qualquer empresa, entre elas a Camargo Correa? Declarante:­ É possível, é possível. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. O mesmo se aplica à OAS, ou seja… Declarante:­ A todas. Delegado da Polícia Federal:­ Odebrecht? Declarante:­ A todas. Delegado da Polícia Federal:­ Andrade Gutierrez? Declarante:­ Aos bancos… Delegado da Polícia Federal:­ À UTC?
  17. 17. Delegado da Polícia Federal:­ À UTC? Declarante:­ Todas, todas, todas. Delegado da Polícia Federal:­ Queiroz Galvão… Declarante:­ Todas. Delegado da Polícia Federal:­ Enfim, todas essas fizeram doações ao Instituto Lula… Declarante:­ Não sei se todas fizeram. Delegado da Polícia Federal:­ Não sabe? Declarante:­ Não sei, querido. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Declarante:­ Você perguntou da, da… Delegado da Polícia Federal:­ Camargo Correa… Declarante:­ Da Camargo Correa, eu disse que a imprensa já deu que a Camargo Correa tinha doado dinheiro para o instituto e disse que ela doou metade do que doou para o Fernando Henrique Cardoso, o restante… Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  saberia  dizer  quem  na Camargo  Correa  seria  o  interlocutor  da  Camargo  Correa  para  fazer  doação,  ou  da OAS? Declarante:­ Não sei. Não sei. Delegado da Polícia Federal:­ Alguém da OAS, alguém da Andrade Gutierrez, que a gente possa verificar porque passou por essa pessoa? Declarante:­  Eu  já  disse  para  você  que  a  mim  não  interessa  discutir esses assuntos, não me interessa. Delegado da Polícia Federal:­ Em razão das doações ao Instituto Lula, o  senhor  já  gestionou  pelos  interesses  dessas  empreiteiras  em  contratos  e financiamentos? Declarante:­ Não entendi a pergunta. Dormiu pouco essa noite? Defesa:­ Não, dormi bem. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Em  razão  das  empresas  que  doaram valores para o Instituto Lula, como essas, Camargo Correa, OAS ou qualquer uma outra, o senhor já chegou a fazer gestão para que elas fizessem algum contrato com a administração pública federal?
  18. 18. Agente  da  Polícia  Federal:­  A  hora  que  precisar  interromper  para comer alguma coisa, então. Já está tudo aqui, o Morais trouxe. Declarante:­ O que vocês têm aqui para comer? Delegado da Polícia Federal:­ Não, pode dar uma olhadinha aí, pode abrir, o que achar que é bom… Defesa:­ O pior é que tem os outros todos olhando aí… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  a  gente  tomou  café,  o  ex­ presidente no fim saiu sem café e tem todo o direito aí de se alimentar. Defesa:­ E pode parar se quiser. Declarante:­ Eu não quero só um pãozinho. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Então  vou  aproveitar  para  pegar  um cafezinho também. Declarante:­ Então eu vou escolher o misto quente. Defesa:­ Deveria ter pego outro. Declarante:­ Não, é a mesma coisa, vou comer um misto quente… O senhor quer? Defesa:­ Não, obrigado. Declarante:­ O senhor tomou café em casa? Defesa:­ Comi alguma coisinha no caminho. Declarante:­ Tem pão de queijo aqui, olha, quem quiser pão de queijo. Delegado da Polícia Federal:­ Acho que trouxeram para todos. Declarante:­ Não, foi para todos, não foi só pra mim. Delegado da Polícia Federal:­ Doutor, eu vou passar para o senhor um mandado de intimação para uma audiência, uma audiência que o senhor Luiz Inácio Lula  da  Silva  deve  comparecer  em  São  Paulo  mesmo,  no  Fórum,  enquanto  eu continuo  as  perguntas  o  senhor  olha  se  está  tudo  ok,  depois  a  gente  só  pega  a assinatura. Defesa:­ Está bom. Delegado  da  Polícia  Federal:­  A  via  dos  senhores  e  depois  pegar  o ciente. O senhor fique à vontade, quando a gente for recomeçar o senhor só me avisa. Declarante:­ Você sabe que…
  19. 19. Defesa:­ Está desligada, né? Delegado da Polícia Federal:­ Não. Defesa:­ Mas só lembrar o seguinte, continua ligado isso daqui. Declarante:­ Se quiser continuar, pode continuar, eu sei falar de boca cheia. Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, eu só não quero atrapalhar o seu café. Declarante:­  Na  fábrica  a  gente  trabalhava  em  horário  corrido,  você tinha meia hora para comer, então era uma desgraça, você comia falando, então… Defesa:­  Quem  tirou  tanta  gente  da  miséria  tem  direito  a  comer também. Delegado da Polícia Federal:­ É verdade. Declarante:­ É leite, isso é chá, né? Delegado da Polícia Federal:­ Isso aqui é chá. Defesa:­ Eu acredito que já houve uma carta precatória em São Paulo, o senhor sabe dizer se é a mesma? Delegado da Polícia Federal:­  Olha,  eu  não  faço  a  mínima  ideia  do que é isso aí, só chegou para mim agora o mandado da intimação, não sei nem da onde veio direito, não tive tempo de ler. Defesa:­  Há  um  réu  numa  ação  penal  que  arrolou  o  senhor  como testemunha, o réu José Carlos Bumlai, e ao que me consta já chegou a intimação, mas parece que o juiz aqui que preside o processo fez encaminhar ele diretamente uma nova intimação. O estranho é que veio na verdade sem precatória, mas a forma como chegou, quem é que encaminhou isso aqui, esse documento? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Chegou  no  e­mail  do  colega  aqui  da nossa equipe dizendo “Olha, chegou uma ordem judicial pedindo para que tu intimes o ex­presidente Lula”. Defesa:­ Então, é porque eu não estou vendo é o seguinte, quer dizer, há procedimento que se deve observar, então… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Talvez  isso  até  favoreça  o  próprio intimando… Defesa:­  É,  na  verdade  eu  prefiro  sempre  observar  o  procedimento legal.
  20. 20. Delegado da Polícia Federal:­ Então, mas eu costumo dizer sempre “A ordem  judicial  a  gente  cumpre  e  não  questiona”,  então  eu  estou  cumprindo  uma ordem judicial. Defesa:­ Para mim o procedimento é importante. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  claro,  mas  eu  acho  que  se  o senhor… Defesa:­ Eu gostaria na verdade de saber a origem, porque eu não posso assinar um documento que veio sem carta precatória… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  eu  estou  declarando  aqui  no audiovisual que esse documento chegou por e­mail para a nossa equipe policial, a origem foi… Defesa:­ Tem o número do processo? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Está  aqui.  A  13ª  vara  federal encaminhando  um  mandado  de  intimação,  agora,  neste  momento,  eu  passo  a  dar ciência ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva que existe uma petição número 5007401­ 06.2016.404.7000, Paraná, esse é o número do processo, o requerente é o Ministério Público Federal e o requerido é a senhora Marisa Letícia e o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, Mandado de Intimação, doutor Sérgio Fernando Moro, Juiz Federal da 13ª Vara Federal, manda a quaisquer autoridades policiais a quem este for apresentado que em seu cumprimento procedam a intimação do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, qualificação, para que compareça na sede da Justiça Federal em São Paulo, situada na Avenida Ministro Rocha Azevedo, 25, na sala de videoconferência 1, décimo quinto andar, para audiência de instrução que será realizada por videoconferência no dia 14 de  março  de  2016,  as  nove  e  meia  da  manhã,  ocasião  em  que  será  ouvido  como testemunha arrolada pela defesa de José Carlos Costa Marques Bumlai, acerca dos fatos descritos na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal nos autos da ação penal 5061578­51.2015.404.7000. Então é apenas um mandado de ordem para uma testemunha, agora se o senhor acha que o procedimento não é correto, aqui não é o momento para o senhor alegar porque eu apenas estou cumprindo um mandado, mas  eventualmente  o  senhor  pode  peticionar  nos  autos  se  o  senhor  entender  que não… Defesa:­ É que me causou surpresa porque foi expedido, pelo que me consta, uma carta precatória, então eu não entendi só a, a… Delegado da Polícia Federal:­ Mas, como eu lhe falei, eu realmente não tenho conhecimento. Defesa:­  A  sistemática  que  foi  adotada,  há  uma  duplicidade  de  atos processuais, até porque é um pouco inusual, mas tudo bem. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Mas,  assim,  como  o  processo  é eletrônico, o processo eletrônico… Defesa:­ A gente vai, vou checar, vou checar.
  21. 21. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Isso,  eu  realmente  não  tenho conhecimento. Defesa:­ Eu tenho o código verificador ali, né. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  não,  não,  é  que  o  processo  é eletrônico, eles vão saber exatamente se está havendo duplicidade, só precisa assinar. Ministério  Público  Federal:­  É  comum,  doutor,  principalmente quando não é réu, expede­se a precatória, às vezes tentam por telefone, então é um procedimento para tentar realmente alcançar a pessoa, foi atrás e não obteve aquele sucesso, é mais para tentar achar a testemunha. Defesa:­ Na verdade, a precatória foi expedida e já foi cumprida, então é isso que me causou uma certa estranheza. Ministério Público Federal:­ Não deve ter retornado ainda. Defesa:­ É, pode ser, pode ser. Ministério Público Federal:­ Não deve ter retornado e aí o juiz deve ter tomado essa precaução “Olha, tenta também levar ao conhecimento…”… Delegado da Polícia Federal:­ Então, antes da gente começar só pega o ciente do ex­presidente. Não identificado:­Aqui no… Delegado da Polícia Federal:­ Isso, essa aqui é nossa via e essa é a deles. Não Identificado:­ Essa aqui é a de vocês? Delegado da Polícia Federal:­ Isto. Não identificado:­ Faz o favor, aqui do lado… Declarante:­ Tem que assinar aqui? Defesa:­ Isso, só colocar ciente. Não identificado:­ 4 de março… Defesa:­ 04/03/2016 e a assinatura do senhor… Declarante:­  Estou  fazendo  uma  coisa  remunerada,  o  acordo  de  dar esse depoimento que eu vou dar… Não  identificado:­  Só  rubricar  a  primeira  aí,  faz  favor,  só  rubricar. Obrigado. Defesa:­ Essa é uma intimação filmada? Delegado da Polícia Federal:­ É.
  22. 22. Delegado da Polícia Federal:­ É. Declarante:­ Estou pronto. Delegado da Polícia Federal:­ Ok. Então, a partir desse momento, o Coronel  Morais  passa  a  estar  presente  como  testemunha,  assim  como  o  agente Almeida, apenas para constar. O senhor conhece o senhor José de Filippi Júnior? Declarante:­ Conheço. Delegado da Polícia Federal:­ Qual a relação do senhor com ele? Declarante:­  A  relação  é  de  petista,  ele  foi  prefeito  de  Diadema,  foi secretário de Diadema, foi secretário da prefeitura de São Paulo, foi deputado federal. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Extraindo  essa  questão  partidária, política, qual é a relação que o senhor tem com ele? Declarante:­ Uma relação pessoal boa. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Qual  a  relação  que  ele  tem  com  o Instituto Lula? Declarante:­  Ele  foi  diretor  do  instituto  nos  anos,  no  começo  do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ E desde quando… Declarante:­ Hoje nenhuma. Delegado da Polícia Federal:­ Desde quando ele não tem mais relação com o instituto? Declarante:­ Ah, desde que eu deixei o instituto, acho que desde que eu fui  eleito  Presidente  ou,  ou,  eu  não  sei  preciso  a  data,  mas  eu  penso  que  ele  teve função no instituto até o começo do meu mandato, depois acho que ele deixou, acho que ele deixou, hoje ele não tem nenhuma função. Delegado da Polícia Federal:­ Seria quando mais ou menos? Declarante:­ Ah, eu não sei, querido, precisar a data. Delegado da Polícia Federal:­ Nos últimos seis anos ele exerceu… Declarante:­ Não, acho que não. Delegado da Polícia Federal:­ Ele foi presidente do instituto? Declarante:­ Foi. Delegado da Polícia Federal:­ Lembra quando?
  23. 23. Declarante:­  Não  me  lembro,  deve  ter  sido  logo  que  eu  deixei  o instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Ele também poderia estar nos últimos anos fazendo pedido de doações para o Instituto Lula, mesmo tendo se desvinculado do instituto? Declarante:­ Para o instituto eu não sei, eu sei que ele foi coordenador da minha campanha em 2006. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  ele  poderia  estar  pedindo  também para o Instituto Lula, além da campanha? Declarante:­ Aí não sei, não sei. Delegado da Polícia Federal:­ Depois de 2006, ele teria algum pedido em nome do Instituto Lula, continuou exercendo alguma função? Declarante:­  Não,  não  acredito  porque  o  instituto  estava  quase paralisado. Delegado da Polícia Federal:­ Em 2006? Declarante:­ É. Delegado da Polícia Federal:­ Então, digamos que até 2011, quando o senhor  reativou,  digamos  assim,  o  Instituto  Lula,  ele  não  deveria  estar  pedindo doações para o Instituto Lula? Declarante:­ Não deveria, acho que não. Delegado da Polícia Federal:­ E depois de 2011 ele não estava mais… Declarante:­ Acho que não. Delegado da Polícia Federal:­ Exercendo qualquer função, é isso, ok. Declarante:­  Acho  que  ele  foi  eleito  deputado  federal  em  2010,  não foi? Defesa:­ Não sei, acho que foi sim. Delegado da Polícia Federal:­ Ele foi prefeito de Diadema? Declarante:­  Foi  três  vezes  prefeito  de  Diadema,  foi  secretário  de Diadema, foi secretário de obra, foi secretário da saúde aqui em São Paulo, o melhor prefeito que nós tivemos em Diadema. Delegado da Polícia Federal:­ Com a empresa LILS Palestras, o José Fillipi tem alguma relação?
  24. 24. Declarante:­ Não tem. Delegado da Polícia Federal:­ Nunca teve? Declarante:­ Nunca teve. Delegado da Polícia Federal:­ Então ele nunca teria autorização para pedir  ou  fazer  agendamento  de  palestras,  tratar  qualquer  valor  de  remuneração  a palestras? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Isso o senhor afirma com certeza? Declarante:­ Tem 99% de possibilidade que ele nunca tratou disso. Delegado da Polícia Federal:­ Pelo menos com a sua autorização? Declarante:­ É. Delegado da Polícia Federal:­ Em relação à LILS? Declarante:­  Nunca,  eu  nunca  fui  fazer  uma  palestra  a  convite  do Fillipi. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Declarante:­ Nunca conversou comigo sobre isso. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Na condição de tesoureiro da sua campanha de 2006, o senhor tem conhecimento de que construtoras ele teria pedido dinheiro,  na  qualidade  de  tesoureiro  da  sua  campanha  em  2006  o  senhor  tem conhecimento  para  quais  construtoras,  grandes  construtoras  do  Brasil,  ele  teria pedido doações para a campanha? Declarante:­  Deve  estar  na  justiça  eleitoral,  deve  estar  no  relatório apresentado e aprovado pela justiça eleitoral. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  com  relação  à  UTC  Engenharia,  o senhor lembra? Declarante:­  Não  lembro.  Não  me  pergunte  qual  empresa individualmente, a não ser que a gente requeira aí o relatório apresentado pelo PT. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Isso  a  gente  tem  acesso,  mas  se  o senhor puder lembrar… Declarante:­ Deixa eu lhe falar uma coisa, um Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha, se ele quiser ser presidente de fato e de direito ele não discute dinheiro de campanha.
  25. 25. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Uma doação de 2,4 milhões feita pela UTC Engenharia, o senhor não tomou conhecimento? Declarante:­ Nem essa e nem outras. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Declarante:­ Mas se ela doou deve estar registrado na justiça eleitoral. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  já  ouviu  falar,  tomou conhecimento de uma possível doação feita pela UTC ao partido dos trabalhadores, em razão de contratos celebrados com a Petrobras, como se fosse uma espécie de, por exemplo, comissão, o senhor já ouviu falar nisso? Declarante:­  Eu  não  acredito  nisso,  eu  não  acredito,  em  muita  coisa que eu vejo na imprensa sobre Lava Jato eu não acredito. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Ok,  mas  o  senhor  ouviu  falar  nisso antes da Lava Jato? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ E com relação ao contrato que a UTC Engenharia firmou para o Comperj, o senhor sabe se houve alguma doação para o partido dos trabalhadores em razão disso? Declarante:­ Não sei, não sei. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor  conhece  João  Henrique Worn? Declarante:­ Quem? Delegado  da  Polícia  Federal:­  João  Henrique  W.O.R.N,  então  pode ser Vorn, Worn. Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor não sabe então dizer qual a relação dele com o José Fillipi? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor sabe se o José Fillipi costuma usar um serviço de táxi com o mesmo taxista? Declarante:­ Serviço de que? Delegado da Polícia Federal:­ Táxi, táxi… Declarante:­ Eu não sei, querido.
  26. 26. Delegado da Polícia Federal:­ Não sabe se ele anda de táxi? Declarante:­ Não sei. Delegado da Polícia Federal:­ Sabe se tem algum taxista que é amigo dele? Declarante:­ Não sei, não sei. Delegado da Polícia Federal:­ Não? Declarante:­ A nossa amizade não chega a tanto. Delegado da Polícia Federal:­ Por isso que eu perguntei qual era a sua relação com ele, o senhor disse que era uma relação boa… Declarante:­ Como é que eu vou saber como ele anda? Delegado da Polícia Federal:­ Mas é que às vezes tem pessoas que a gente conhece que sabe que só anda de táxi. Declarante:­ Espero que ele tenha carro, que ele dirija. Delegado da Polícia Federal:­ É, é, está certo. Declarante:­  Aqui  em  São  Paulo  também  andar  de  táxi  é  uma preferência hoje. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Pois  é.  O  senhor  conhece  Rogério Aurélio Pimentel? Declarante:­ Conheço. Delegado da Polícia Federal:­ Qual a relação que o senhor tem com ele? Declarante:­ Ele trabalhou como segurança desde 1989. Delegado da Polícia Federal:­ Segurança? Declarante:­  Segurança  na  minha  campanha  presidencial,  depois  ele foi trabalhar na presidência da república, foi auxiliar a dona Marisa, depois que eu deixei a presidência da república ele foi trabalhar no SESI. Delegado da Polícia Federal:­ E com o Instituto Lula, ele tem alguma relação? Declarante:­ Nenhuma. Delegado da Polícia Federal:­ Nenhuma? Ele costumava frequentar o Instituto Lula?
  27. 27. Declarante:­ Não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não?  O  senhor  tem  conhecimento,  o Instituto  Lula  nunca  pediu  nada  para  ele,  e  ele  também  nunca  trabalhou  para  o Instituto Lula, nunca pediu em nome do Instituto Lula? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ O Aurélio tem algum apelido? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Não? Declarante:­ Não, que eu saiba não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  O  senhor,  quando  tiver  alguma intervenção… Defesa:­ Ah tá, não, foi só pra… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Alguma  complementação.  Rogério Aurélio Pimentel fazia contato com empresas potencialmente para serem doadoras do Instituto Lula? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ E com a LILS Palestras? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Também não. Da mesma forma que não tinha nunca autorização para pedir doações ou agendar palestras, ele nunca trabalhou para a LILS? Declarante:­ Nem pra pedir, nem pra dar, não tem nenhuma relação. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Paulo  Cangussú  André,  o  senhor conhece, Paulo Gangussú André? Declarante:­ Paulo? Delegado da Polícia Federal:­ Paulo Cangussú André, acho que André é o sobrenome. Declarante:­ Paulo Cangussú? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Talvez  o  senhor  possa  conhecer  por apelido ou alguma coisa? Declarante:­ Não.
  28. 28. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Obviamente,  então,  o  senhor  não  vai dizer se ele tem algum relacionamento com o senhor ou com o Instituto Lula pelo nome. Declarante:­ Paulo Cagussú eu não conheço, aliás é a primeira vez que eu vejo esse nome Cangussú. Delegado da Polícia Federal:­ É, pode ser Paulo André, Paulo André já é um nome… Declarante:­ Paulo André, Paulo André é um menino que trabalha com o Paulo Okamotto. Delegado da Polícia Federal:­ Isto. Declarante:­ Ele é um menino que cuida da infraestrutura, das viagens, de hotéis. Delegado da Polícia Federal:­ Relacionadas ao Instituto Lula? Declarante:­ Instituto Lula. Delegado da Polícia Federal:­ Com palestras? Declarante:­ Não, palestras não, infraestrutura de viagens minhas, se eu for para Brasília é o Paulo André que cuida de avião, se eu for para um hotel é o Paulo André que cuida do hotel, é isso que ele faz. Delegado da Polícia Federal:­ Sempre com recursos do Instituto Lula ou da LILS? Declarante:­  Sempre  com  recursos  do  Instituto  Lula  ou  da  LILS, depende de quem vai fazer o evento. Delegado da Polícia Federal:­ Ele então é o seu secretário? Declarante:­ Não, ele trabalha para o instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  por  que  ele  presta  serviços  para LILS? Declarante:­ Ele não presta serviços para LILS. Delegado  da  Polícia  Federal:­  É  que  o  senhor  acabou  de  dizer  que quando o senhor vai fazer uma palestra ele que marca… Declarante:­ Ele não presta serviço pra LILS, ele presta serviço para o instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Mas  o  senhor  vai  fazer  uma  palestra pela LILS, o senhor disse que ele que marca…
  29. 29. Declarante:­ Quando eu vou fazer uma palestra pela LILS, o instituto, Clara Ant ou qualquer diretor é que cuida disso. Delegado da Polícia Federal:­ Então o Instituto Lula cuida das suas palestras também? Declarante:­ De algumas, de algumas. Delegado da Polícia Federal:­ E a receita dessas palestras vai para o instituto ou para a LILS? Declarante:­  Ela  fica  na  LILS  e  vai  ser  utilizada  quando  todas  as empresas  que  vocês  estão  destruindo  nesse  país  não  puderem  contribuir  mais financeiramente, o dinheiro vai ser utilizado para manter o instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Então os mesmos tesoureiros, pessoas que trabalham para o Instituto Lula também prestam serviços para a LILS? Declarante:­ Eles não prestam serviços para a LILS. Deixa eu lhe falar uma coisa, a LILS é uma empresa que foi criada apenas para dar norma jurídica às palestras que eu faço, quando alguém quer contratar a LILS alguém liga diretamente lá para o Instituto, liga para mim, liga para o Paulo, liga pra Clara, liga para todo mundo, certo? Eu montei o escritório da LILS para cumprir norma jurídica, só isso. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Ele  funciona  na  mesma  sede  do instituto? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Qual é a sede dele? Declarante:­ Não, ele não tem sede, na verdade eu coloquei o endereço no apartamento meu para receber correspondência, mas chega… Delegado da Polícia Federal:­ E quem trata dessas palestras, trata dos valores que devem ser contribuídos, quem faz tudo isso? Declarante:­  As  pessoas,  quando  mandam  carta,  as  pessoas  mandam carta diretamente para o instituto, para a LILS via instituto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  E  quem  faz  essa  operação,  o secretariado do senhor, vê a sua agenda “Olha, vou fazer”. Declarante:­ Tem agenda minha no instituto… Delegado da Polícia Federal:­ Quem faz isso? Declarante:­ O Marco Aurélio faz minha agenda, a Clara Ant cuida da minha  agenda,  é  a  diretora  responsável  de  cuidar  de  todas  as  minhas  atividades sindicais, políticas, do instituto, tudo passa…
  30. 30. Delegado da Polícia Federal:­ E o Paulo André também? Declarante:­  Tudo  passa  pela  mão  dela.  O  Paulo  André  é  apenas  a questão  de  infraestrutura,  “Ah,  preciso  alugar  num  quarto  num  hotel”,  “Preciso alugar um avião”, precisa fazer outra coisa é com o Paulo André. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. E com relação às doações, ele também fazia contato com empresas? Declarante:­ Não, não. Eu não acredito, porque ele é um funcionário do instituto. Delegado da Polícia Federal:­ Ainda é? Declarante:­ Eu não acredito porque ele é um funcionário do instituto, ele não cuida dessas coisas. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Ou  seja,  ele  ainda  é  funcionário  do instituto? Declarante:­ Deve ser, é funcionário sim. Delegado da Polícia Federal:­ Hoje é ele… Declarante:­ Ele trabalha diretamente ligado ao Paulo Okamotto. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 3 Delegado da Polícia Federal:­ O senhor conhece, então, a Clara Ant, como o senhor já falou, qual a relação dela com o senhor? Declarante:­  A  Clara  Ant  é  fundadora  do  PT,  deputada  estadual  e trabalha comigo há 25 anos. Delegado da Polícia Federal:­ Com o Instituto Lula o senhor também já falou, que ela ainda está lá, obviamente ela deve frequentar o Instituto Lula, qual seria essa frequência que ela comparece ao… Declarante:­ Quem? Delegado da Polícia Federal:­ A Clara Ant. Declarante:­ Todo santo dia, das 10 às 7, às 8 da noite, todo santo dia. Delegado da Polícia Federal:­ Ela faz contatos com as empresas que são doadoras, colaboradoras? Declarante:­ Não, não faz não.
  31. 31. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Com  relação  à  LILS,  ela  faz  então contatos, como o senhor falou, acabou de falar? Declarante:­ Ela recebe… Delegado da Polícia Federal:­ Nós temos uma relação de doações ou pagamentos por serviços prestados, com imposto retido na fonte, enfim, de algumas empresas,  por  exemplo,  eu  vou  pegar  uma  mais  recente,  é  mais  provável  dar lembrança, no ano de 2014, tem a Vanucci & Vanucci, FM2 Comunicações, Nemala Assessoria, Diogo Antônio Rodrigues, essas 4 empresas que eu falei, por exemplo, a Nemala, o senhor tem ideia qual foi a contraprestação, teriam sido palestras ou teria sido doações? Declarante:­  Nunca  nem  ouvi  falar  nessa  empresa,  como  que  é  o nome? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Nemala  Assessoria  e  Planejamento Estratégico e Projetos, não? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ A Vanucci & Vanucci? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ FM2 Comunicações? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Diogo Antônio Rodrigues? Declarante:­ E o que essas empresas fizeram? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Elas  doaram  ou  pagaram  para  o Instituto Lula ou para a LILS, entrou no caixa; por exemplo, essa empresa Nemala, que o senhor não conhece, ela pagou 292.441,95 reais, provavelmente seja em razão de palestras concedidas, se não for palestra pode ser caixa de doações. Declarante:­ Não tenho, não tenho a menor ideia. Delegado da Polícia Federal:­ Stuart Consultoria? Declarante:­ Nenhuma dessas que você falou eu tenho a menor ideia do que seja. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Sim.  LFS  Contabilidade,  Tributos  e Consultoria? Declarante:­ O que é isso?
  32. 32. Delegado da Polícia Federal:­  Então,  uma  das  empresas  que  passou dinheiro, essa, por exemplo, 36 mil. Tem uma aqui que talvez o senhor vá lembrar porque é mais de 1 milhão de reais, G4 Entretenimento e Tecnologia. Declarante:­ É o que eu disse para vocês, se a G4 prestou serviços para o  instituto,  se  ela  prestou  serviços,  o  instituto  paga  corretamente  os  serviços prestados. Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Para a G4. É do seu filho Fábio, não é? Declarante:­ É. Isso já foi apresentado para a receita federal, já esteve lá xeretando. Delegado da Polícia Federal:­ Não, não. Para o senhor ter uma ideia de imposto devido que foi recolhido foi 16 mil reais dessa prestação de serviços, 1 milhão e 67 mil, o senhor tem ideia do que pode ter sido prestado pela G4 ao Instituto Lula para que a G4 tenha recebido esse valor? Declarante:­  Olha,  se  não  me  falha  a  memória,  deve  ter  sido  do Memorial da Democracia, porque nós fizemos o memorial digital que está no ar, nós fizemos o Memorial, fizemos o Políticas Públicas, são dois programas que estão no ar para difundir o que aconteceu no Brasil, aí isso implicou fazer filmes, implicou fazer estudo, deve ter sido isso, mas como vocês estão, estão… O Paulo Okamotto vai estar prestando depoimento ou não? Delegado da Polícia Federal:­ É para estar, eu não tenho ideia se… Declarante:­  Pois  se  ele  estiver  ele  deve  falar,  porque  ele  é  que contrata. Delegado da Polícia Federal:­ Certo, certo. As empresas que eu falei anteriormente também são todas recebedoras… Declarante:­ O que? Delegado da Polícia Federal:­ Aqueles nomes que eu lhe falei, que o senhor não conhece, por exemplo, a Nemala, ela é recebedora a título de serviços prestados… Declarante:­ Ah, deve ser, lá trabalhou recebeu, lá não é que nem o poder público que não paga não, lá a gente paga. Delegado da Polícia Federal:­ A qual o senhor se refere, ao federal… Declarante:­ Hein? Delegado da Polícia Federal:­ A que poder público o senhor se refere, federal, estadual ou municipal?
  33. 33. Declarante:­  Todos.  Uma  das  coisas  que  fomentou  a  corrupção  no Brasil  ao  longo  do  tempo  é  que  o  Ministério  Público,  o  poder  público  fingia  que contratava  obra,  fingia  que  pagava,  a  empresa  fingia  que  fazia,  ficava  tudo  como antes. Antes de eu chegar à presidência, o servidor público fingia que trabalhava, o governo fingia que pagava, o Brasil se fodia, então, desculpe a palavra horrível, então nós resolvemos moralizar tudo isso, eu adotei como política o seguinte, é o seguinte, primeiro pagar em dia, eu só tenho credibilidade com as pessoas se eu pagar em dia, se eu fingir que pago e a pessoa finge que recebe alguém vai enganar alguém, então eu optei pela seriedade e isso vale para o instituto. Defesa:­ Doutor, a pergunta era valores pagos ou valores recebidos? Delegado da Polícia Federal:­ Valores pagos pelo Instituto Lula. Declarante:­ Essa coisa contratada… Delegado da Polícia Federal:­ É por isso que eu corrigi. Defesa:­ É, exatamente, então fica claro que o senhor corrigiu porque no começo… Delegado  da  Polícia  Federal:­  É,  eu  interpretei  a  planilha  como  se tivesse essas pessoas doando para o instituto. É por isso que agora, há um minuto atrás,  eu  corrigi  dizendo  que  essas  empresas  que  eu  citei  na  verdade  receberam dinheiro, é por isso que… Defesa:­  Só  para  deixar  claro  que  houve,  para  ficar  bem  claro  que houve essa retificação da sua pergunta, porque no início, quando se perguntou como entrada, ele ficou reticente, para deixar claro que na verdade uma pergunta errada que depois foi corrigida. Delegado da Polícia Federal:­ Isso. Eu deixei claro, inclusive, o ex­ presidente disse que prestou serviço, pagou e por isso que ele falou agora que o poder público não paga. Defesa:­ A pergunta foi refeita de uma forma correta e aí então ele pôde se manifestar. Delegado da Polícia Federal:­ Foi refeita, foi refeita, exatamente. Flex BR Tecnologia, ela recebeu 114 mil, o senhor tem ideia? Declarante:­ Quanto? Delegado da Polícia Federal:­ 114 mil, no ano de 2004. Declarante:­ Se recebeu, pagou serviço, meu filho. Delegado da Polícia Federal:­ Textual Traduções? Declarante:­ Não.
  34. 34. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Rima  Soluções  em  Comunicação,  o senhor  conhece  essa  empresa  aqui,  Soluções  em  Comunicação,  recebeu  199  mil reais? Declarante:­ Não. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Vamos  1  ano  mais  pra  trás,  vê  se  o senhor lembra de alguma dessas empresas ou desses valores? Declarante:­ Que ano? Delegado  da  Polícia  Federal:­  2013.  A  mesma  Rima  que  em  2014 ganhou 200 mil, em 2013 foi 83 mil, a Vanucci & Vanucci de novo em 2013, ganhou 102 mil, a G4 Entretenimento que tinha ganhado em 2014 1 milhão e 67 mil, no ano de 2013 ela recebeu 263 mil reais, em 2013 o senhor não lembra… Declarante:­ Eu vou repetir a mesma coisa, vou repetir a mesma coisa, se recebeu prestou serviço. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo,  certo.  E  a  Multi  Interpretação Ltda.? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Não? não lembra? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ Vamos mais para trás um pouquinho, há 3 anos atrás, quase 4 anos, em 2012, Vanucci & Vanucci Ltda. mais 89 mil, Brasil Arquitetura 100 mil, Rima de novo, dessa vez só 12 mil, G4 Entretenimento de novo em 2012, 18 mil, LFS Contabilidade 15 mil, Multi Interpretação 50 mil. Declarante:­  Primeiro,  entenda,  primeiro  eu  fico  até  constrangido  de você está me fazendo essas perguntas, porque que interesse alguém tem em saber se uma  empresa  recebeu  18  mil  reais,  17  mil  reais?  Se  recebeu  dinheiro  do  instituto prestou  serviço,  se  prestou  serviço  tem  nota,  se  tem  nota  já  foi  pago  os  impostos direitinho. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Essa  é  uma  oportunidade  deo  senhor poder esclarecer isso tudo sobre… Declarante:­ Não, essa oportunidade… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Agora  se  o  senhor  não  tem conhecimento… Declarante:­ Na verdade é a oportunidade de ficar constrangido aqui, respondendo perguntas que, e eu sei que não é você que inventa pergunta, eu sei o critério,  mas  sinceramente,  sinceramente  tem  coisa  muito  mais  séria  para  me perguntar.
  35. 35. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  Vamos  tratar  agora  mais  da LILS,  nós  citamos  bastante  o  instituto,  daquelas  pessoas  ligadas  a  ele,  vamos formular perguntas… Defesa:­ Doutor, o objeto da investigação o senhor pode esclarecer qual é? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Sim.  Como  eu  já  adiantei  para  o  ex­ presidente, ele envolve reformas e aquisição e registro da propriedade do sítio em Atibaia, eventuais reformas e registro de propriedade do flat… Declarante:­ O senhor deveria estar entrevistando o Ministério Público, trazer o Conserino aqui e fazer pergunta para ele, para ele dizer que é meu, para ele dizer que o apartamento é meu, para ele dizer que eu paguei o apartamento, ele que tem que dizer, não eu. Delegado da Polícia Federal:­ O que interessa para nós… Declarante:­  Que  o  cidadão  conta  uma  mentira  e  eu  sou  obrigado  a ficar respondendo a mentira dele. Delegado da Polícia Federal:­ Mas se o senhor não responder quem vai responder? Declarante:­  Um  cidadão  que  é  membro  do  Ministério  Público,  que fica a serviço da Globo, do Jornal Globo, da Revista Veja, fazendo insinuações e eu tenho  que  responder?  Ele  que  diga,  ele  que  prove,  no  dia  que  ele  provar  que  o apartamento é meu alguém vai me dar o apartamento, ou o Ministério Público vai me comprar o apartamento ou a Globo me compra o apartamento, ou a Veja me compra o apartamento, ou sei lá quem vai me comprar o apartamento, o que não é possível é que a gente trabalhe tanto para criar uma instituição forte nesse país e dentro dessas instituições  pessoas  que  não  merecem  estar  nessa  instituição  estejam  a  serviço  de degradar a imagem de pessoas, não sou eu que tenho que provar que o apartamento é meu, ele é que vai ter que provar que é meu, ele vai ter, eu espero que ele tenha dinheiro para depois pagar e me dar o apartamento, eu já estou de saco cheio disso, essa é a verdade, estão gravando aqui para ficar registrado. Eu estou de saco cheio de ficar respondendo bobagens. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  Mas,  lembre­se  que  é  a oportunidade da sua defesa, do senhor responder, pior se o senhor não tivesse essa oportunidade,  graças  também  ao  estado  democrático  de  direito  o  senhor  tem  essa liberdade… Declarante:­  Mas,  tranquilo,  meu  problema  não  é  com  você  não,  eu estou irritado porque eu acho que… Defesa:­ O objeto da denúncia… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Então,  continuando,  desculpe, continuando, o objeto ainda, as doações apuradas e recebidas por LILS Palestras e Eventos e Instituto Lula, que foram recebidas de empresas investigadas na Lava Jato,
  36. 36. por se tratarem de doações grandes, de pagamentos grandes feitos por elas, e por estar comprovado que essas mesmas empresas tinham, já foram inclusive condenadas em esquema  que  envolve  a  Petrobras,  a  gente  precisa  saber  se  o  ex­presidente  tem conhecimento disso e, se tem, que diga o que ele sabe. Continuando, então, o senhor já falou que a LILS Palestras e Eventos é uma empresa que o senhor constituiu em seu nome para poder receber os valores de suas palestras. Para fazer o contato com os contratantes das palestras quem seriam as pessoas responsáveis? Declarante:­ As pessoas que entram em contato. Delegado da Polícia Federal:­ Entram em contato com quem, o senhor falou que foi com o instituto e daí… Declarante:­  Entram  em  contato  com  o  instituto,  entram  em  contato com o diretor do instituto perguntando da minha disposição, se eu estou disposto a fazer palestra. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Elas  entram  em  contato  geralmente como, por quais meios? Declarante:­  Telefone,  e­mail,  telefone  e  e­mail,  tudo  que  existe  de disponibilidade. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Certo.  Qual  a  quantidade  média  de palestras proferidas pelo senhor por mês? Declarante:­  Eu  tenho  que  falar  uma  coisa,  eu  preciso  explicar  uma coisa  porque  se  não  explicar  é  difícil  vocês  entenderem,  quando  eu  deixei  a presidência da república no dia 31 de janeiro, no dia 1º de janeiro de 2002, eu era o Presidente da República considerado o melhor Presidente da República do início do século XXI, pois bem, quando eu deixei a presidência todas as empresas de palestras, que organizam palestras de Bill Clinton, Bill Gates, Kofi Annan, Felipe Gonzales, Gordon  Brown,  todas  as  empresas  mandaram  e­mail,  mandaram  telegrama, mandaram  convite,  telefonaram,  que  queriam  me  agenciar  para  fazer  palestra,  nós então  fizemos  um  critério  de  não  aceitar  nenhuma  empresa  para  me  agenciar, primeiro por cuidado político, que a gente não sabia quem eram, e segundo porque a gente queria fazer palestras selecionadas, ou seja, que a gente pudesse falar do Brasil, eu posso até mandar para vocês alguns discursos que eu faço, ou seja, a gente fazia discurso primeiro mostrando o que aconteceu no Brasil em 8 anos, que era o que todo mundo queria, e depois a gente dizia qual era o futuro do Brasil, o que o Brasil tinha de  perspectiva  para  a  frente,  e  decidimos,  decidimos  cobrar  um  valor,  todas  as minhas palestras custam exatamente 200 mil dólares, nem mais e nem menos. Delegado da Polícia Federal:­ Quem “decidimos”? Declarante:­ Hein? Delegado da Polícia Federal:­ Quem “decidimos”? Declarante:­ Nós decidimos, nós…
  37. 37. Delegado da Polícia Federal:­ “Nós”? Declarante:­ Eu, eu decidi, eu decidi. Nós pegamos um valor do Bill Clinton e falamos o seguinte “Nós fizemos mais do que ele, então nós merecemos pelo menos igual”, e aí passamos a viajar, eu viajei muito em 2011, até porque eu queria sair do Brasil para não ficar atrapalhando a presidente que tinha tomado posse, não sei se você sabem que um ex­presidente deixa o cargo ficando no mesmo espaço, depois de 2011, em outubro eu peguei um câncer, aí fiquei paralisado quase em 2012, em 2013 fiz palestras, em 2014 eu parei em março de fazer palestras por causa das eleições,  em  2015  eu  quase  não  fiz  palestras  porque  eu  queria  que  primeiro  a presidenta apresentasse os grandes programas de futuro para o Brasil, porque quando você vai fazer palestras você tem que vender o teu país, você tem que mostrar o que vai acontecer nesse país, você tem que atrair investidores, você tem que mostrar que você é melhor do que o México, você tem que mostrar que você é melhor do que o Canadá,  você  tem  que  mostrar  que  você  é  melhor  que  a  China,  então  quando  eu viajava, até 2013, o Brasil estava construindo as três maiores hidrelétricas do mundo, o  Brasil  estava  construindo  6  mil  quilômetros  de  ferrovia,  10  mil  quilômetros  de rodovia, 20 mil quilômetros de linha de transmissão, tinha os estádios todos da copa do mundo, tinha as olimpíadas, então o Brasil tinha um portfólio de coisas que eu, se fosse a Dilma, eu viajava todo mês para fora para vender as coisas do Brasil, porque ela não viaja? O Peru viaja, a China viaja, a Rússia viaja, o México viaja, a Nova Zelândia, todo mundo viaja vendendo o seu país, mostrando o que é, e eu fazia isso com muito orgulho, fazia com muito orgulho; eu, se tivesse disposição, em 2011 eu teria feito acho que uma palestra por dia, ou até duas por dia se eu quisesse, eu tive proposta de fazer palestra de 500 mil dólares na Coreia e eu não fui. Delegado da Polícia Federal:­ Do norte ou do sul? Declarante:­  Não  fui.  Então,  querido,  é  por  isso  que  eu  fui  fazer palestras, porque foi a forma mais decente e a mais digna, recebi proposta para ser conselheiro do Banco de Desenvolvimento da China não aceitei, recebi convite para ser  conselheiro  de  empresas  multinacionais  que  trabalham  no  Brasil  não  aceitei, porque eu não quero ser consultor e não sou conferencista, eu sou um contador de caso, de uma história de governança bem resolvida. Delegado da Polícia Federal:­ Quanto tempo o senhor leva para contar essa história? Declarante:­ Ah, depende, depende, quando eu estou, como diria, tem hora que me baixa o espírito do Chaves e do Fidel eu falo uma hora e meia, às vezes eu falo uma hora, falo uma hora e quarenta, uma hora e cinquenta. Delegado da Polícia Federal:­ Mas se fosse o espírito dele seria 6, 12 horas, por aí. Declarante:­  É  porque,  sabe  o  que  acontece,  tem  muita  coisa  para contar,  se  a  gente  não  explicar,  se  a  gente  não  explicar  para  as  pessoas  o  que aconteceu  nesse  país,  se  a  gente  não  explicar  o  que  aconteceu  com  o  sistema financeiro, o que aconteceu com as empreiteiras, o que aconteceu com a indústria automobilística,  o  que  aconteceu  com  o  pequeno  agricultor,  no  teu  estado  você conhece muito e sabe o que aconteceu, se a gente não contar para as pessoas o que
  38. 38. aconteceu nesse país as pessoas não sabem, se as pessoas ficarem vendo a Globo, lendo  a  Veja,  as  pessoas  só  vão  ver  merda  nesse  país,  então  eu  tenho  orgulho  de poder viajar o mundo mostrando o que é esse país, tenho orgulho, orgulho, orgulho! Por  isso  que  em  todas  as  minhas  viagens  como  Presidente  da  República  eu  fazia questão de fazer debates de empresários brasileiros com empresários de outros países que eu visitava, Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Angola, Argentina, Peru, Equador, aonde eu fosse eu fazia questão de levar empresário, por quê? Porque nós,  presidentes,  assinamos  protocolos  de  intenções,  depois  da  burocracia  vai trabalhar, um acordo que eu fizer com a CIA Americana para trabalhar em convênio com a Polícia Federal brasileira eu assino um protocolo, mas se a Polícia Federal não estiver envolvida participando daquele protocolo vai ficar 8 anos lá, que aquilo vai de gaveta em gaveta; com empresário a mesma coisa, por que eu levava empresário? Porque eu assino protocolo, quem tem interesse de ganhar, comprar e vender são os empresários, então eu fazia questão de colocá­los à mesa, terminou a assinatura de protocolo, terminou então, você tem um grande empresário do Rio Grande do Sul, que  era  o  Tigre,  que  era  presidente  da  Federação  da  Indústria  Metalúrgica,  que viajava  muito  comigo,  e  viajava  pra  vender  máquinas  agrícolas  gaúchas  para  o mundo  saber  que  no  estado  do  Rio  Grande  do  Sul  a  gente  produzia  máquinas agrícolas da mais alta modernidade, então… Delegado da Polícia Federal:­ Ex­presidente, desculpe interrompê­lo, mas esse é o papel do senhor e eu acredito, de verdade, que o senhor fazia esse papel muito bem feito. Declarante:­  Por  isso  é  que  eu  não  deveria  estar  sendo  perguntado disso. Delegado da Polícia Federal:­ O problema não é esse… Declarante:­ É exatamente esse. Delegado da Polícia Federal:­ O problema é o depois. Declarante:­ Não, o depois é mais fácil ainda. Delegado da Polícia Federal:­ O depois, a suspeita é que alguém batia na  porta  desses  mesmos  empresários,  eu  estou  explicando  para  o  senhor  porque  a gente está aqui… Declarante:­ Eu conheço o assunto. Delegado da Polícia Federal:­ A suspeita é que então… Declarante:­ Eu conheço o assunto. Delegado da Polícia Federal:­ A suspeita é que depois… Declarante:­ Um desavisado que não tinha o que fazer, atendendo uma mentira  da  revista  Época,  atendendo  uma  mentira  da  revista  Época  que  nós desmentimos,  e  nós  fizemos  uma  representação  contra  o  cidadão  do  Ministério Público  no  Conselho  Nacional  do  Ministério  Público,  acho  que  uma  ou  duas  nós
  39. 39. fizemos,  porque  ele  mentiu,  eu  quero  aqui  dizer  que  ele  mentiu,  não  agiu  com  a decência da corporação, não agiu com a decência da corporação, porque se tem um cidadão que trabalhou nesse país para que as corporações fossem fortes, para que o Ministério Público fosse cada vez mais independente e mais forte, por isso eu tomei a atitude de indicar o primeiro da lista, eu fui o primeiro presidente a tomar atitude e indicar  o  primeiro  da  lista,  todos  eles  que  eu  indiquei,  todos,  desde  o  Cláudio Fonteles ao Antônio Fernandes, ao Gurgel foi o primeiro da lista, e a Dilma seguiu, a lei pode mandar escolher qualquer um e eu escolhi o primeiro da lista por respeito à categoria. A mesma coisa é na Polícia Federal, e porque eu faço isso, porque eu acho que esse estado só será democrático quando tiver instituições fortes, e instituições fortes pressupõem pessoas sérias, não pode ter moleque, não pode ter moleque, tem que ter gente séria. Antes de eu levar o nome de alguém à dúvida, eu tenho que ter prova, uma instituição séria não pode estar a serviço do, como é que eu vejo hoje, como é que eu vejo hoje, qualquer coisinha vaza, qualquer coisinha, faz 7 anos que esse  Brasil  vive  assim,  na  quinta­feira  alguém  da  operação  Lava  Jato  vaza  uma matéria  para  a  Folha  de  São  Paulo,  vaza  uma  matéria  para  O  Estadão,  vaza  uma matéria para a Veja, vaza para a Época, aí trabalhar sábado e domingo, eu estou de saco cheio disso. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Doutor,  o  senhor  viu  que  na  semana passada teve uma fase envolvendo o João Santana, o senhor viu quem vazou? Ficou o documento, o interrogatório foi para o Jornal Nacional, não foi? Declarante:­ Foi. Delegado da Polícia Federal:­ O senhor viu que estava escrito assim “Cópia ao advogado”? Talvez o senhor não tenha percebido, mas está lá. Declarante:­ Mas, a maioria, deixa eu te contar, eu fiz depoimento, eu conheci delegados extraordinários na Polícia Federal, extraordinários, mas também tem gente que não presta. Delegado da Polícia Federal:­ Em todos os lugares. Declarante:­ No Ministério Público tem gente extraordinária, mas tem gente que não vale o que come, e muitas vezes essas pessoas extrapolam. Você sabe o que eu tenho medo, é que as pessoas não se preocupem em enxovalhar o nome das pessoas, depois que você, porque hoje as pessoas são condenadas pelas manchetes dos jornais, primeira você detecta o criminoso, aí você vai procurar o crime que ele cometeu, é assim que está a coisa aqui. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Mas  é  importante,  eu  achei  bem importante  até  para  o  senhor  saber  onde  isso  vai  parar  na  visão  da  polícia,  da investigação, o que o doutor Hiroshi está falando, que ele disse justamente como isso é usado, de maneira certa ou errada é o que está aí. Declarante:­  Eu  conheço,  eu  conheço  o  começo  dessa  história,  eu conheço, no começo dessa história nós fizemos uma matéria desmentindo a Época, as sete  mentiras  da  Época,  passando  uma  semana  um  cidadão  do  Ministério  Público, utilizando a Época, fez as mesmas perguntas da Época, então isso já estava, nós já estamos brigando, e vamos continuar brigando.
  40. 40. Defesa:­ Doutor, o senhor poderia só continuar só esse raciocínio que eu queria saber? Delegado da Polícia Federal:­ Eu posso até continuar. A suspeita é o que,  é  o  pós.  Pelo  menos  na  minha  visão  dos  fatos,  é  o  que,  que  as  empresas conseguiam  contratos  e  de  alguma  maneira  havia  um  acordo,  tácito  ou  não,  ou costumeiro  do  mercado  ou  não,  de  se  pagar  determinada  comissão  em  razão  dos fechamentos dos contratos, dentre essas formas… Defesa:­ Todas ou quais empresas, quais empresas? Delegado da Polícia Federal:­ Vamos começar com a Petrobras. Defesa:­ Mas, pela linha, pelo que o senhor diz o seguinte, então aqui todas as empresas que eventualmente tenham participado da comitiva… Delegado da Polícia Federal:­ Não, a gente pode seguir o raciocínio do senhor, se a gente quiser, daí a gente faz perguntas, mas… Defesa:­  Não,  eu  pergunto  o  seguinte,  na  verdade  o  meu questionamento é o seguinte, hoje existe em Brasília um procedimento do Ministério Público Federal que investiga as palestras do ex­presidente, pelo que eu vi aqui o objeto  também  está  inserido  neste  inquérito,  existe  um  inquérito  no  Ministério Público de São Paulo que diz respeito ao apartamento e ao sítio de Atibaia, pelo que eu  vi  isso  também  é  objeto  desse  inquérito,  e  nós  temos  uma  ação  no  Supremo Tribunal Federal que discute de quem é a atribuição para realizar essa investigação, não  sei  se  os  senhores  têm  ciência  dessa  ação,  então,  a  minha  dúvida  aqui  é  o seguinte, os senhores estão repetindo a mesma investigação que está em curso em Brasília e no Ministério Público de São Paulo, os senhores têm consciência dessas outras investigações, porque me parece que essa redundância de investigações não pode ser admitida, nós temos princípios que vedam isso, então… Declarante:­ Porque a receita já fez, a receita já fez uma investigação no instituto. Defesa:­ Sim, mas aqui a questão é em que medida esse amplo objeto dentro dessa investigação coincide, ele coincide com as outras investigações? Delegado  da  Polícia  Federal:­  Só  para  que  a  gente  não  se  alongue tanto durante o dia… Defesa:­ Só fazer um comentário aqui… Delegado da Polícia Federal:­ O senhor já perguntou e respondeu, o senhor citou as outras investigações que possuem o mesmo objeto desta, que é muito maior, além do que as outras investigações estão tratando, essa aqui trata também de recebimento de valores por parte do Instituto Lula e LILS Palestras e Eventos, que têm origem de empresas investigadas na Lava­Jato. Agora, nós não podemos aqui continuar um debate de competência ou atribuição…
  41. 41. Defesa:­  Não,  eu  compreendo,  mas  eu  gostaria  de  perguntar  ao Ministério Público que está aqui presente, se… Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, mas aqui não é o momento, aqui é… Defesa:­ Mas é… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  não,  aqui  é  um  termo  de declaração e eu não posso permitir que defesa e Ministério Público criem um embate agora que diz respeito a uma matéria que tem que ser decidida pelo STF talvez. Defesa:­ É que na verdade o fiscal da lei deveria se pronunciar sobre isso. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Mas  isso  aí  são  argumentos  que  o senhor tem que colocar em uma petição no foro competente, aqui não é o momento para o senhor questionar o Ministério Público, nem o Ministério Público questionar o senhor. Defesa:­ Eu sei, não estou questionando, eu só estou colocando porque isso é uma questão, na verdade, que diz respeito à garantia do cidadão, então, se o Ministério Público Federal está presente e é fiscal da lei, tem um papel para exercer, e se o Ministério Público abriu outras investigações com o mesmo objeto, eu gostaria que o Ministério Público se pronunciasse sobre o assunto. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  não,  mas  aqui  não  é  para  o ministério se pronunciar, aqui é para a defesa poder exercer o direito de defesa em termo de declarações. Defesa:­ Especialmente porque há, há… Ministério Público Federal:­ Eu não vou polemizar, não, só vou fazer um esclarecimento rápido para o senhor só, no que diz respeito ao Ministério Público Federal, a investigação em Brasília é completamente diversa, isso que eu posso falar para o senhor do Ministério Público Federal da Lava Jato, como o doutor Luciano disse, qualquer polêmica a respeito disso tem que ir ao judiciário para resolver, é a única  coisa  que  eu  posso  discutir  aqui  com  o  senhor,  e  em  relação  ao  Ministério Público estadual eu não posso dar nenhum dado porque eu não conheço. Defesa:­  Mas  tem  compartilhamento,  os  senhores  conhecem,  tem compartilhamento. Defesa:­  Sem  polemizar,  os  senhores  sabem  que  existe  uma  decisão pendente  de  uma  ministra  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que  está  a  qualquer momento para decidir quem seria o competente, se seria o estadual ou o federal, e se esta, se, hipoteticamente, a decisão dela for de que realmente há duplicidade e fixar a competência  pelo  Ministério  Público  do  estado  de  São  Paulo,  isso  tudo  que  nós estamos fazendo estaria, ou cai por terra porque estaria sem competência, então o que causou estranheza é a realização desse ato a tão poucas horas de uma decisão do STF, é isto. (inaudível) para deixar claro só.
  42. 42. Delegado da Polícia Federal:­ Prosseguindo as nossas operações pra gente  poder  ir  embora  hoje  né,  vamos  lá,  vamos  retomar  o  nosso  raciocínio.  Em média, no último ano, por exemplo, quantas palestras por mês? Declarante:­ Olha, esse ano foram muito poucas, o ano passado foram poucas. Delegado da Polícia Federal:­ O que seria pouca? Declarante:­ É pouca, acho que foi duas ou três só. Delegado da Polícia Federal:­ Duas ou três por mês? Declarante:­ Não. Delegado da Polícia Federal:­ O ano todo? Declarante:­ O ano. Primeiro, porque a situação… Não  identificado:­  O  deputado  Paulo  Teixeira  quer  acompanhar  a audiência. Declarante:­ Oi Paulo. Defesa:­  Ele  também  é  advogado,  também  é  advogado  independente da… Delegado da Polícia Federal:­ É seu advogado? Declarante:­ O Paulo é, é deputado federal do PT. Delegado da Polícia Federal:­ Ah tá. Defesa:­ Presidente, tudo bom com o senhor? Declarante:­ Tudo bom, querido. Defesa:­ Bom dia. Delegado da Polícia Federal:­ Bom dia, tudo bem? O senhor está aqui na condição de deputado ou de advogado? Defesa:­ Os dois. Defesa:­ Vou pedir para o senhor… Delegado  da  Polícia  Federal:­  Não,  não,  agora  não,  na  condição  de advogado, mas eu acho que o presidente já tem os seus advogados… Defesa:­ Prossegue assim mesmo?
  43. 43. Delegado  da  Polícia  Federal:­  Prossegue  assim,  mas  ele  já  está representado pelos advogados. Declarante:­ Vamos seguir. Delegado da Polícia Federal:­ Eu falo isso porque se nós não criarmos um  critério  razoável,  com  certeza  vai  ter  5  mil  advogados  querendo  estar  aqui presente com o senhor, então a gente não vai conseguir cumprir a nossa meta hoje, que  é  dar  o  seu  direito  de  defesa  às  acusações  ou  às  suspeitas  que  estão  sendo levantadas. Vamos lá. Defesa:­  Ele  não  constou  como  advogado,  desculpe,  está  pedindo  na OAB,  mas  não  constou  como  advogado,  deixou  lá,  se  esqueceu  de  constar  como advogado, correto? Delegado da Polícia Federal:­ Não, se ele não está como advogado e não tem OAB ele não pode permanecer. Defesa:­ Eu posso declinar minha OAB aqui, 156333. Delegado da Polícia Federal:­ Mas ela está ativa? Defesa:­ Está ativa. Declarante:­ Ele não incomoda nada. Delegado da Polícia Federal:­ Não, mas temos que ter critério, eu não conheço… Declarante:­ Ele não vai falar, ele vai ouvir. Delegado da Polícia Federal:­ Eu acho que, com certeza, ele tem todas as intenções, mas ele não faz parte das declarações e ele só pode permanecer aqui se ele tem uma OAB ativa e está na condição de seu advogado. Defesa:­  Pode  constar  como  advogado,  isso  aqui  não  vai  ser…  Não teremos  outros  casos,  mantém  ele  junto  aqui  como  advogado,  não  vai  haver (inaudível). Defesa:­ (inaudível). Eu estou licenciado da€

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